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Fernando Rodrigues



10/12/2008
Fragilidade institucional

Fernando Rodrigues
De Brasília


A reunião de hoje do Comitê de Política Monetária do Banco Central é um exemplo da fragilidade institucional do país. Lula enviou recados quase exigindo um corte na atual taxa básica de juros, de 13,75% anuais.
Criou-se um impasse. O presidente do BC, Henrique Meirelles, pode aceitar o ultimato. Reduz o percentual e submete-se ao Planalto. Nessa hipótese, Lula passa a ditar sozinho todas as normas monetárias até o final de seu mandato.

Mas Meirelles tem a opção de resistir. Aí abre-se uma crise profunda entre Lula e o presidente do Banco Central. Não haveria pior momento para tal desarranjo. O Brasil e o restante do planeta estão prestes a enfrentar a pior crise financeira em muitas décadas.

O episódio escancara a desídia com que a política econômica foi tocada nos últimos seis anos. Lula é um criptoestatista. Escolheu alguém do mercado para o BC para simular uma conversão ao modelo de livre mercado. Meirelles foi sua terceira ou quarta opção. Ninguém aceitava à época se arriscar no início da gestão petista.

Em Brasília, quem fala inglês, utiliza talheres corretamente e sabe escolher um bom vinho é logo classificado de gênio ou intelectual. É o caso de vários diplomatas do Itamaraty e também o de Meirelles.
Enquanto o mundo se esbaldava na farra do crédito fácil e do crescimento acelerado, Lula deixou Meirelles tocar uma política ortodoxa nos juros, evidentemente exagerada. O petista poderia ter mudado antes, em tempos de calmaria, criando mecanismos transparentes de cobrança de responsabilidade para o BC. Sem saber o que fazer, o presidente seguiu a máxima atribuída a d. João 6º -não fez nada.

Agora, à beira de um tsunami financeiro mundial, Lula resolve emparedar o Banco Central. É esse o modelo de solidez econômica do Brasil para enfrentar a crise.


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