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Fernando Rodrigues



20/12/2008
O império da mediocridade

Fernando Rodrigues De Brasília

Só há uma certeza no episódio da farra dos vereadores: deputados e senadores estão desconectados dos interesses do país.

Apenas quem tivesse acabado de chegar ao planeta Terra e estivesse desinformado sobre a crise econômica global seria capaz de propor o incrível aumento de 7.343 vagas nas Câmaras Municipais brasileiras.

A novela teve um enredo torto, do início até o estágio atual. Na madrugada de quarta para quinta-feira, os senadores aprovaram a emenda constitucional dos vereadores. Por justiça, eis os nomes dos que foram contrários a ela: Cristovam Buarque (PDT-DF), João Pedro (PT-AM), Kátia Abreu (DEM-TO), Raimundo Colombo (DEM-SC) e Tião Viana (PT-AC).

Os deputados fingiram uma reação no dia seguinte. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), teve um chilique. Recusou-se a promulgar a emenda. Alegou uma alteração no mérito, pois os senadores separaram para votar depois uma (relativamente inócua) restrição ao aumento dos gastos de câmaras municipais.

Se a atitude dos senadores votando durante a madrugada foi digna de uma república bananeira, os deputados não fizeram por menos. O pecado original nasceu na Câmara.

Os deputados iniciaram o processo de aumento de vagas nas Câmaras Municipais. Ninguém consegue explicar a razão pela qual o país melhorará com mais 7.343 vereadores remunerados. Esse é o ponto.

Alegar uma eventual restrição nos gastos é como aproveitar esta época do ano e escrever uma carta a Papai Noel. Está para nascer o político capaz de produzir 7.343 vagas de vereadores no Brasil sem aumentar o custo para o Estado.
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Em meio a esse império da mediocridade, Câmara e Senado mais uma vez se omitem. Deixaram a palavra final para a Justiça. Depois, certamente, reclamarão da judicialização da política.


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