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Fernando Rodrigues



10/01/2009
Incompetência e má-fé

Fernando Rodrigues
De Brasília


Há uma mistura de incompetência com má-fé na decisão da Câmara dos Deputados de conceder um plano de saúde gratuito para 12 mil de seus funcionários nomeados politicamente.

A incapacidade gerencial ficou explícita na reunião desta semana da direção da Câmara. Admitiu-se no encontro um lobista que os ingênuos (sic) deputados disseram achar ser apenas um sindicalista.
O infiltrado convenceu os presentes sobre conceder um plano de saúde a 12 mil almas sem cobrar um centavo. Na realidade, estava de olho nos R$ 43 milhões já gastos pela Câmara com a assistência médica de 3.500 funcionários de carreira.

Era só uma conta de chegada. O lobista pegaria a bolada em troca de um serviço de quinta categoria para todos, concursados ou não.

É constrangedor assistir a deputados caindo em uma esparrela como essa. Mas o episódio ilustra à perfeição o nível de elaboração intelectual dos responsáveis pela confecção das leis do país.

A má-fé no caso fica na conta dos integrantes da Mesa Diretora da Câmara. Todos aprovaram a ideia estapafúrdia do plano de saúde "grátis". Agora ficam pelos corredores do Congresso empurrando a responsabilidade sobre as costas de Arlindo Chinaglia, cujo período de presidente da Casa dura apenas mais cerca de 20 dias.

Chinaglia pode descascar o abacaxi e corrigir sua imagem esmaecida. Começaria sustando as várias despesas extras aprovadas nos últimos dias -do plano de saúde à incrível "bolsa-chefia", a gratificação para certos assessores que custará R$ 40 milhões neste ano. Terminaria liberando integralmente as notas fiscais apresentadas por deputados quando solicitam ressarcimento de qualquer natureza.

Pode parecer pouco, mas Chinaglia terminaria sua gestão como o presidente da Câmara que tentou resgatar a honra da Casa.


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