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Fernando Rodrigues



17/01/2009
Adeus reforma política

Fernando Rodrigues
De Brasília


"Reforma política" é uma expressão usada em Brasília quando deputados e senadores estão sem assunto. Agora, como informou Kennedy Alencar ontem na Folha, o assunto fica sepultado no governo Lula.

A espinha dorsal do plano lulista era acabar com a reeleição e aumentar os mandatos presidenciais para cinco anos. Como as regras seriam novas, algum companheiro poderia defender uma terceira candidatura consecutiva de Lula. Na pior hipótese, o petista deixaria a cadeira em 2010, mas retornaria candidato cinco anos depois.

Com a economia indo para o buraco e a incerteza sobre quem vencerá em 2010, Lula desistiu da ideia. O DNA de sua desilusão está num cálculo simples: a mudança agora beneficiaria apenas o PSDB.

Se o Congresso decreta o fim da reeleição, viabiliza um acordo entre José Serra e Aécio Neves. Os tucanos arbitram uma ordem sucessória. Com as regras mantidas, o racha entre os caciques do PSDB se torna cada vez mais inevitável.

Mais do que atrapalhar os adversários, a decisão de Lula enterra a chance de haver uma reforma política durante seus dois anos finais de mandato. A notícia pode parecer ruim à primeira vista, mas é um alento quando se observa o monstrengo tramitando no Congresso.

Na esteira do fim da reeleição falava-se em unificação de mandatos, de vereadores a presidente da República. "Gastaríamos menos e o Brasil não pararia a cada dois anos", são os argumentos. Bobagem. Eleições são baratas. O país fica longe de parar quando há uma disputa eleitoral. A única consequência certa da unificação seria menos democracia: o eleitor passaria a dar sua opinião só uma vez a cada meia década. A suposta economia na eleição ficaria caríssima com a farra dos políticos. Mas Lula, pelas suas razões particulares, tirou o time de campo. Ainda bem.


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