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Fernando Rodrigues



19/01/2009
Obama e o PT

Fernando Rodrigues
De Brasília


Barack Obama toma posse amanhã e a onda obamista parece ter contaminado os petistas. Logo depois da vitória do democrata na eleição presidencial dos EUA, o PT ofereceu uma análise no boletim distribuído pela sigla na Câmara dos Deputados.

Foi um relato do deputado petista Nilson Mourão, do Acre, enviado aos EUA para assistir ao processo eleitoral. O acreano não é propriamente uma estrela do establishment do PT, mas sua avaliação é um denominador comum na legenda.

Em texto benevolente com o norte-americano, Mourão pontifica: "Barack Obama tem luz própria, carisma, simpatia, competência, liderança, qualidades que se manifestam em 16 meses de campanha. Ele não é um "produto bem vendido" nem uma "criatura" da mídia".

O relato do petista acreano aproxima-se do delírio ao afirmar que Obama "indicou claramente a necessidade de iniciar um novo ciclo histórico e sepultar uma era de fundamentalismo neoliberal". Não há a evidência de que o norte-americano romperá com os cânones do livre mercado. Como escreveu o festejado comentarista da CNN Fareed Zakaria, "o novo presidente dos EUA será julgado pela habilidade de salvar o capitalismo".

Mas a análise produzida por Nilson Mourão não é inútil. Expõe uma dificuldade atávica dos políticos brasileiros -não só os do PT- para entender com alguma sofisticação o cenário externo. Comportam-se como se tudo fosse um jogo do bem contra o mal. No caso da faixa de Gaza, é nítida a simpatia dos petistas pelos palestinos -como Lula torcia para os guerrilheiros vietcongues no início dos anos 70.

Daqui a alguns meses, petistas em peso constatarão a sobrevivência do capitalismo. O PT então poderá ficar indignado com o companheiro Obama. Faz parte. Mas só não enxerga hoje a realidade quem prefere se entregar ao autoengano.


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