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Fernando Rodrigues



24/01/2009
Obama e o lobby

Fernando Rodrigues
De Brasília


O mundo está de olho no fechamento de Guantánamo e em como Barack Obama tirará a economia dos EUA do buraco. Mas há outras decisões relevantes do norte-americano em nível administrativo que podem inspirar alguns políticos brasileiros.

É o caso do aperto nas regras de como atuam os grupos de pressão, o chamado lobby. Apesar de ter se aproximado de lobistas durante sua campanha, Obama agora restringiu esse tipo de atividade.

Funcionários da administração federal direta nos EUA que pedirem demissão durante o mandato de Obama estão proibidos de fazer lobby. Servidor demissionário interessado no ramo de influenciar o governo terá de esperar o democrata sair da Casa Branca.

Ou seja, um funcionário do Federal Reserve (o Banco Central) ou da Secretaria do Tesouro (Ministério da Fazenda) está impedido de sair do governo e arrumar um emprego numa firma de advocacia ou de investimentos e manter qualquer tipo de relação com o governo.

Nos EUA, diferentemente do Brasil, o lobby é regulamentado.

Servidores podem receber visitas de representantes de diversos setores da sociedade defendendo as mais variadas causas. Mas mesmo assim, lá (com regras) como aqui (sem regras), o problema maior é a porta giratória. Funciona assim: um esperto passa um ou dois anos no governo, pede as contas e vai feliz da vida usar os contatos feitos no serviço público para ganhar dinheiro na iniciativa privada.

Com Obama, em tese, a porta giratória deve enguiçar por quatro anos. Extirpar a praga, por óbvio, é impossível. Relações pessoais muitas vezes são incontroláveis.

O relevante na medida antilobby de Obama é a adoção do caminho correto -constranger quem está de olho num emprego público hoje para traficar influência amanhã. Eis aí algo para o Brasil refletir.


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