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Fernando Rodrigues



11/02/2009
O desafio do corregedor

Fernando Rodrigues
De Brasília


Prevaleceu o cinismo ontem na reunião da cúpula da Câmara na qual foi selado o acordão para abafar o castelogate. O deputado Edmar Moreira (DEM-MG) continua sumido depois de ter renunciado ao cargo de corregedor.
Não será investigado, muito menos punido. Para o seu lugar, o Democratas indicou um de seus caciques, Antonio Carlos Magalhães Neto.
Nenhuma medida moralizadora foi adotada. A maior evidência da inoperância dos deputados foi a decisão de criar uma comissão para estudar propostas sobre como deve atuar a corregedoria -o atalho mais eficaz para o nada.

Por justiça, é necessário registrar a intervenção do líder do PSOL, Ivan Valente (SP). Ele propôs a divulgação de todas as notas fiscais apresentadas por deputados para justificar o uso dos R$ 15 mil mensais a que têm direito.

No momento inicial, "foi um silêncio sepulcral", diz Valente. Em seguida, PSDB e PPS manifestaram-se a favor -talvez por serem de oposição. Nada se poderia esperar da ala chapa-branca composta por PT, PMDB e outros. Mas o emudecimento do DEM chamou a atenção e já é um desafio para ACM Neto. Tome-se o caso do ex-corregedor.

Edmar Moreira fez fortuna com empresas de segurança. No ano passado, uma coincidência: apresentou notas fiscais no valor total de R$ 140 mil por conta de "serviço de segurança". A Câmara está moralmente obrigada a mostrar essas notas fiscais do deputado.

Se for confirmado hoje como corregedor pelo plenário da Câmara, ACM Neto pode começar com o pé direito. Basta defender a imediata liberação de todas as notas fiscais apresentadas por Edmar Moreira e pelos outros 512 deputados. Se fizer menos do que isso, será apenas mais um a perpetuar o corporativismo do Congresso. É uma decisão difícil. Daquelas que diferenciam os bons e os maus políticos.


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