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Fernando Rodrigues



14/02/2009
A volta do PT de raiz

Fernando Rodrigues
De Brasília


É cedo para saber se o PT permanecerá no Planalto com Dilma Rousseff a partir de 1º de janeiro de 2011. Mas já está claro que os petistas hoje estão muito mais parecidos com aqueles do período pré-Lulinha paz e amor. A crise econômica mundial açulou os instintos mais básicos e históricos dos dirigentes do PT. "Teses como a da independência do Banco Central foram para o espaço", resume de forma direta o presidente nacional da legenda, o deputado Ricardo Berzoini (SP).

A companheirada andava macambúzia havia seis anos. Lula havia vencido, mas eles não tinham levado. Agora, rasgaram a fantasia. Ninguém mais fala na "Carta ao Povo Brasileiro", de 2002, o documento usado pelo PT quando flertou com o liberalismo, namorou a banca e bajulou o establishment. A novilíngua petista está na pouco noticiada "resolução política" aprovada pelo Diretório Nacional na última terça-feira -a íntegra está em www.pt.org.br. Acabaram-se as concessões. A hora é de uma "ofensiva contra a ideologia dos senhores do capitalismo neoliberal".

Em meio à crise, os petistas pretendem "encarar os políticos do PSDB e do DEM, seus ideólogos e propagandistas, mostrar que eles não têm condições de dirigir o país". Como será esse embate? Defendendo o Estado forte. Para não pairar dúvida sobre o rumo preferencial dos discípulos de Lula, eis mais um trecho do pensamento petista repaginado: "A intervenção do Estado desmoraliza o discurso conservador hegemônico nos últimos 25 anos -o que equivale, na disputa político-ideológica, à queda do "muro de Berlim" neoliberal". Por analogia, se o muro caiu, o Estado grande vai avançar.

O PT de raiz surfa na crise financeira e nos 84% de popularidade de Lula. Com o discurso antiliberal ressuscitado, muitos no partido já enxergam "Dilma lá".


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