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Fernando Rodrigues



16/02/2009
Os fatos, por favor, Jarbas

Fernando Rodrigues
De Brasília


Até jornalistas com todas as dificuldades imagináveis às vezes conseguem demonstrar atos de corrupção na esfera pública. O que dizer da capacidade de um político duas vezes governador do Estado de Pernambuco, da elite do PMDB e hoje titular de cargo de senador da República?
Trata-se de Jarbas Vasconcelos, integrante da ala ética (sic) do mundo maravilhoso peemedebista. O político pernambucano vocaliza opiniões minoritárias na sigla. Seu azedume aumentou nos últimos tempos. "Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção", disse ele a Otávio Cabral, em "Veja".

Em Brasília e em política quase tudo se sabe. Quem dera os jornais pudessem sair por aí apontando dedos para quem se parece ou se comporta como corrupto. Faltaria papel e tinta. Para o bem ou para o mal, estamos obrigados a revelar fatos e provas quando alguma acusação é publicada. Sem esse tipo de escrúpulo, Jarbas não quis especificar qual é essa tal "boa parte do PMDB" ligada à corrupção.

Inimputáveis, congressistas falam o que lhes vêm à telha. Jarbas é bem informado. Lembro-me dele há 20 anos, em 1989. Em conversas de bastidores me dizia por que Ulysses Guimarães era uma escolha difícil como candidato peemedebista a presidente. Ulysses perdeu feio, traído pelo partido. Jarbas poderia apresentar fatos.
Suponho que ele os tenha. Demonstraria como é e quem pratica corrupção dentro do PMDB. Faria bem à democracia se oferecesse ao público informações objetivas.

Sem dados concretos, sua valentia retórica vale pouco. Só serve para validar a percepção nefanda e equivocada de que "todos os políticos são ladrões". Sem provar suas acusações, Jarbas também patrocina uma festa no céu para os corruptos. Dá a eles a chance de se mostrarem indignados em público enquanto festejam em privado.


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