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Fernando Rodrigues



21/02/2009
Foi "desculpa esfarrapada"

Fernando Rodrigues
De Brasília


Deve-se ao deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), primeiro-secretário da Câmara, o esclarecimento necessário e definitivo a respeito de certas declarações de congressistas pelos corredores do Poder Legislativo.
Na última terça-feira, o tucano trombeteou uma transparência meia-sola para os gastos mensais extras de R$ 15 mil de cada deputado. A Câmara passaria a divulgar apenas o nome, e não o CNPJ, das empresas prestadoras de serviços.

Noves fora, não haveria transparência. Seria praticamente impossível descobrir quem usa recibos frios nessa operação. "O CNPJ não será divulgado porque abre a vida das empresas, e a gente não escolhe a folha corrida de empresa", explicou Guerra.

Menos de 24 horas depois, sob pressão, a Câmara recuou. Anunciou-se também a divulgação do CNPJ das empresas. Foi quando o mineiro Rafael Guerra ensinou de maneira involuntária como se deve interpretar os políticos: "Cheguei a dar uma desculpa esfarrapada no dia anterior. Mas acho correto disponibilizar tudo sem restrições".

O tucano prestou um grande favor à transparência. Agora, por obra de uma declaração oficial, sabe-se que justificativas para projetos de lei e outras decisões dentro do Congresso devem ser, num primeiro momento, consideradas apenas "desculpas esfarrapadas".

Talvez seja esse o caso das notas fiscais dos últimos oito anos, apresentadas como justificativas de despesas. Os deputados rebarbam a hipótese de divulgar esses recibos antigos -a regra nova só vale para o futuro. A razão do segredo: a Câmara ficaria paralisada num processo sem fim se resolvesse abrir toda essa documentação do passado.

Se vigorar o "axioma de Rafael Guerra", pode ser só mais uma desculpa esfarrapada. Depois do Carnaval, quem sabe, se pressionada, a Câmara mude de opinião.


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