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Fernando Rodrigues



09/03/2009
Sonho que se sonha só

Fernando Rodrigues
De Brasília


O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, está levando a sério seu projeto de entrar na política.
Não faz muito tempo, foi de jatinho com um famoso empresário para a Bahia. Desceu em Salvador, tomou outro avião e chegou até Barra Grande, no exclusivo recanto do marqueteiro Duda Mendonça, ex-Lula e ex-Maluf.

Paulo Maluf foi um facilitador no contato entre Skaf e Duda. Aliás, o PP de Maluf está louco atrás de algum candidato competitivo a governador de São Paulo para ter como ficar fora do bipartidarismo imposto por PSDB e PT.

Skaf enxerga em seu projeto o PP, o PDT de Paulinho da Força Sindical, o PSB de Luiza Erundina (e de Ciro Gomes) e o PC do B de Aldo Rebelo. O partido preferencial para se filiar é o PSB. Na atual geleia geral ideológica, não faz mais muita diferença um empresário entrando numa legenda socialista.

Com sua desenvoltura e vontade de empreender, Skaf parece ter sido picado pela mosca azul da política.

Muitos empresários pensam em disputar uma eleição "para mostrar a todos como fazer as coisas". Na vida real, "as coisas" são diferentes. O último grande empresário que tentou se aventurar ao governo paulista foi Antônio Ermírio de Moraes, pelo PTB, em 1986. Entrou com ares de favorito. Perdeu para Orestes Quércia.

O Estado de São Paulo tem 22,5% dos eleitores do país e está em aberto. Os partidos mais fortes têm candidatos frágeis. O predileto de Serra no PSDB é Aloysio Nunes Ferreira -bom de papo e uma incógnita nas urnas. No PT, Antonio Palocci só é uma promessa-problema, pela biografia encrencada.

Esse vácuo eleitoral paulista, raciocina Skaf, é favorável a um nome de fora, novo. A julgar pelas tentativas iguais de outros empresários no passado, o sonho do presidente da Fiesp pode ser, na realidade, só isso mesmo. Um sonho.


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