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Fernando Rodrigues



16/03/2009
Pantomima

Fernando Rodrigues
De Brasília


Há uma farsa em curso no Congresso, e o seu patrocinador é o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, o jovem ACM Neto, filiado ao Democratas (ex-PFL e ex-Arena) da Bahia.
Corregedor da Câmara, Neto protela ao máximo sua decisão a respeito do pedido de cassação contra o deputado do castelo, o mineiro Edmar Moreira (sem partido, mas até o mês passado integrante do mesmo DEM do seu suposto algoz).

A acusação é cristalina. Moreira usou notas fiscais de sua própria empresa de segurança para justificar gastos de R$ 140 mil no ano passado. Feriu o Código de Ética da Câmara, que determina o uso do dinheiro público segundo os princípios da impessoalidade.

O escândalo começou em 2 fevereiro. Hoje é dia 16 de março. O corregedor ACM Neto demorou semanas para notificar Moreira. Recebeu a resposta do deputado do castelo na última segunda-feira. A defesa é indigente. Caberia ao corregedor ter encaminhado no dia seguinte o caso à direção da Câmara, recomendando a abertura de um processo formal no Conselho de Ética -quando fica então inviável a renúncia do acusado para escapulir da cassação de mandato.

O que fez ACM Neto? Criou uma comissão para analisar o assunto.

Nomeou como sócios remidos dessa investigação postiça José Eduardo Cardozo (PT-SP), Osmar Serraglio (PMDB-PR), Flávio Dino (PC do B-MA) e Régis Oliveira (PSC-SP). Juntos, sabendo ou não, eles legitimam a lengalenga.

Os presidentes do Senado e da Câmara têm ficado, por enquanto, à margem desse escândalo das notas fiscais. José Sarney e Michel Temer precisam se mover. Em breve, a responsabilidade será deles também.

Até porque dezenas de senadores e deputados são clones de Edmar Moreira quando se trata de gastar de maneira ilegal os R$ 15 mil a que têm direito por mês.


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