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Fernando Rodrigues



28/09/2009
Despreparo e improviso

Fernando Rodrigues
De Brasília


Como já escreveu Janio de Freitas, a partir de agora a crise instalada em Honduras diz respeito à capacidade de os latino-americanos conseguirem ou não ajudar a restaurar minimamente as regras democráticas naquele país. Golpes de Estado devem ser rechaçados. Sem relativização.
Se houve trapalhada na ocupação da Embaixada do Brasil, o mais fácil é apontar o dedo só na direção do governo Lula. Há uma histórica falta de preparo do Estado brasileiro quando se trata de protagonizar certas ações internacionais. Impera um vácuo crônico no serviço público a respeito desse tema.

Os acontecimentos em Honduras são um caso para estudo. A versão oficial é que Manuel Zelaya, presidente deposto, materializou-se em frente à embaixada brasileira. Tudo teria saído da cabeça do hondurenho, com a ajuda prestada pelo venezuelano Hugo Chávez.

A ser verdade tal relato, há então uma triste constatação: a extrema inoperância de diplomatas, assessores presidenciais, congressistas especializados em assuntos internacionais e agentes da Abin. Muitos deveriam acompanhar os passos de Zelaya e de Chávez, mas não foram capazes da apurar a trama -na hipótese, é claro, de o Brasil ter sido apanhado de surpresa.

Há 583.367 funcionários públicos federais no Poder Executivo brasileiro. No Congresso, são 24.608 pessoas à disposição de deputados e de senadores. Ninguém teria sido comissionado para tomar ciência do que se passava e antecipar a montagem da operação.

Completa esse enredo de despreparo e improviso a viagem de uma missão de deputados brasileiros a Honduras. Devem partir na terça-feira. O objetivo é ajudar a resolver o impasse. Essa iniciativa congressual, quase uma peça de humor involuntário, é a ação mais concreta oferecida até o momento pelo Brasil -deputados brasileiros zanzando pelas ruas de Tegucigalpa.


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