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Fernando Rodrigues



12/10/2009
O uso da popularidade

Fernando Rodrigues
De Brasília


Lula tateou o terreno, mas parece ter abandonado de vez a espinhosa missão de corrigir a anômala invenção do capitalismo sem risco brasileiro chamada caderneta de poupança. Nenhum país do planeta consegue vencer completamente a inflação, os juros altos e a indexação quando o governo está obrigado a garantir a todos um rendimento de 6% ao ano, mais a variação da TR (Taxa Referencial). Tudo livre de imposto.

A medida é altamente popular. A menos de um ano da eleição, políticos não apreciam correr riscos. Taxar a poupança não rende votos. Esse episódio ilustra à perfeição como o Brasil está longe de se tornar de fato o que Lula e parte do PT acham que o país já é. As dezenas de reformas institucionais empacadas ficaram em segundo plano por causa da recuperação da economia. Sumiu da agenda do governo a urgência para melhorar a Previdência e o sistema tributário.

Aí vem o paradoxo. Lula é o presidente mais forte politicamente desde o fim da ditadura militar. Sua aprovação pessoal, na redondeza dos 80%, tem chance real de romper novos recordes em 2010. O filme sobre sua vida ajudará.

Rivaliza com o marketing antecipado de grandes produções de Hollywood. A economia, tudo indica, crescerá na casa dos 4% anuais ou mais no ano que vem.

Apesar de todo esse poder, Lula não se arrisca. É quase certo que seu sucessor terá menos força política, seja Dilma (PT), Serra (PSDB) ou Ciro (PSB). Em resumo, se o lulismo e seu ícone não tiveram coragem de implantar determinadas reformas, por que o próximo presidente teria? Não terá. Algum dia, o encanto se quebra. O Brasil perceberá quais são seus bolsões de atraso, embora pareça ser nula agora a disposição dos eleitores para ver a realidade. É mais cômodo acreditar no "Brasil Grande" da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.


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