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Fernando Rodrigues



24/10/2009
Tecnologia do abafa

Fernando Rodrigues
De Brasília


O poder de Lula e de sua tropa de choque no Congresso está no ponto máximo. A CPI do MST é um exemplo. Na superfície, pode ter parecido uma derrota para os governistas. Na prática, há chance de ser algo bem diferente.

A CPI foi instalada nesta semana com o propósito de investigar atos ilícitos do MST. Buscam-se mais evidências de uso indevido de recursos públicos por entidades ligadas aos chefes dos sem terra.

São fatos graves, mas dificilmente a CPI encontrará as digitais do presidente da República e de sua ministra da Casa Civil nesses episódios. Há sempre a foto de Lula usando o boné do MST para ser explorada, embora essa imagem tenha sido usada à exaustão.

Na "operação abafa" montada, o governo indicará o presidente e o relator da CPI do MST. Haverá rígido controle dos pedidos de informação e depoimentos. Se tudo está dominado, uma ala relevante dos lulistas concluiu ser útil dar agora um pouco de sangue para distrair os partidos de oposição.

Enquanto PSDB e DEM terão de se envolver em Brasília numa aliança tácita com o setor ruralista, Lula e Dilma estarão passeando pelo país, inaugurando obras e fazendo campanha eleitoral aberta.

Existe é claro um risco calculado na operação. Mas há tempos relativizou-se a expressão clássica sobre essas investigações. "CPI a gente sabe como começa e nunca como termina", ouve-se nos corredores do poder. Mais ou menos.

Dezenas de CPIs passaram em branco nos últimos tempos. Basta ver o desempenho melancólico da CPI da Petrobras, manietada por Lula e sua base de apoio.

A tecnologia de controle das ações no Congresso aperfeiçoou-se com o PT. Recebeu anabolizantes do PMDB e adjacências. Hoje, quando uma CPI é criada, Lula sabe muito bem como tudo começa e termina -em geral, quase sempre dando em nada. Ou em pizza, como se diz.


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