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Fernando Rodrigues



26/12/2009
Os nanicos

Fernando Rodrigues
De Brasília


Poucos prestaram atenção, mas TVs e rádios interromperam suas programações para que o obscuro PT do B desse seu recado na noite da véspera de Natal.Foram cinco minutos pagos com o dinheiro dos contribuintes, pois as emissoras abatem parte do prejuízo com essas transmissões na hora de pagar impostos.

No início do mês, o PT e o PSDB também tiveram seus programas em rede nacional -dez minutos cada um, o dobro do tempo do PT do B. Há uma disfunção nessa divisão.

O partido nanico recebeu apenas 0,3% da votação para deputado federal na eleição de 2006. Já petistas e tucanos tiveram 15% e 13,6% dos votos, respectivamente.

De todas as anomalias político-partidárias, uma das mais perversas é o chamado horário "gratuito" em rádio e TV. Uma massa de desconhecidos, com inserção minúscula no eleitorado, aparece regularmente propondo aerotrens e outras excentricidades. Muitos programas servem apenas de boca de aluguel para políticos alienígenas atacarem adversários.

Tudo começou por uma razão nobre. A ditadura militar (1964-85) destruiu os partidos. Na volta da democracia, os novos agrupamentos políticos pressionaram para ter acesso ao rádio e à TV. Fazia sentido. Era necessário um canal de comunicação com a sociedade. Passaram-se 30 anos e a benemerência permanece intacta. Alguns partidos se consolidaram. Outros sumiram. A maioria, nanica, vive de sugar o dinheiro público.

Seria errado proibir a formação das microssiglas. Mas é um desrespeito ao eleitor dar a essa minoria um tratamento incompatível com os votos recebidos nas urnas. Basta uma lei para limitar essa farra no rádio e na TV. Embora tecnicamente simples, nenhum governo se atreve a tratar do assunto. É sempre útil ter essa turma à disposição quando é necessário falar mal de alguém numa campanha.


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