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Fernando Rodrigues



06/02/2010
Subterrâneos tucanos

Fernando Rodrigues
De Brasília


Na superfície há uma onda sobre a possibilidade de ainda vir a ser formalizada a chapa presidencial tucana puro sangue com José Serra e Aécio Neves. No mundo subterrâneo do PSDB as coisas não andam assim tão claras.

Na semana que termina hoje, houve uma série de telefonemas entre atores políticos relevantes e Aécio Neves. O governador mineiro está, em tese, fora da disputa presidencial. Vai concorrer apenas ao Senado. Mas na pauta de suas conversas estiveram os seguintes temas: a deslanchada de Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas, a desidratação da candidatura Serra e o ânimo do paulista em se manter na disputa. Falaram com o tucano, para citar apenas dois, Ciro Gomes (PSB) e Michel Temer (PMDB).

Indagado por Aécio se estava mesmo mantendo-se candidato a presidente pelo PSB, Ciro Gomes respondeu: "Só se você não for". Já Michel Temer, sempre mencionado como o possível vice numa chapa encabeçada por Dilma Rousseff (PT), disse ao mineiro: "Se você entrar, o quadro muda".

No PSDB há hoje um quarteto no comando. Além de Serra e de Aécio, apitam no tucanato os senadores Tasso Jereissati (CE) e Sérgio Guerra (PE), o último presidente da legenda. Jereissati tem suspeitas sobre a firmeza da candidatura de José Serra por causa da aproximação de Dilma Rousseff nas pesquisas. Guerra também já demonstrou o mesmo temor em privado.

Tudo somado, Serra tem ao seu lado muito mais gente pensando que ele vai desistir do que apostando na possibilidade remotíssima de Aécio aceitar a vaga de vice. Nesse cenário, o mineiro parece estar a postos para novamente ser candidato ao Planalto, com Ciro Gomes ao lado. Seria a primeira chapa presidencial pós-Lula e pós-64. Não é à toa que Aécio usa às vezes a palavra bumerangue quando comenta sua desistência da corrida presidencial a favor de Serra.


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