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Fernando Rodrigues



13/03/2010
Deficit de valores

Fernando Rodrigues
De Brasília


Lula comparou os perseguidos políticos cubanos em greve de fome com bandidos presos no Brasil. Não se encontra um ser pensante no governo para defender o presidente em conversas privadas. A classificação da fala lulista vai de despautério para baixo.
Em público é outra história. A ex-presa política Dilma Rousseff deu o tom ao ser convidada a comentar: "Vocês não vão conseguir me tirar aqui uma crítica ao presidente Lula, nem que a vaca tussa".
Na noite de quinta-feira, o presidente resolveu interpretar as críticas na mídia a respeito de seu amor pelo regime autoritário de Cuba. "Leiam os editoriais dos jornais", recomendou. "De vez em quando, é bom ler para a gente ver o comportamento de alguns falsos democratas, que dizem que são democratas, mas que agem querendo que o editorial deles fosse a única voz pensante no mundo".
A reação de Lula ilustra dois aspectos relevantes da política brasileira atual. Primeiro, como a alta popularidade produz na mesma proporção uma atrofia no superego presidencial. Segundo, como o conceito de democracia e direitos fundamentais é primitivo na mente do titular do Planalto.
É possível a esta altura Lula já ter percebido o erro cometido. Inteligente, o petista poderia pelo menos ter dito: "Expressei-me mal".
Mas a ausência de um ato de contrição é o menor problema. O pior é Lula jogar a sua popularidade pela janela quando se tratou de contribuir para a consolidação dos valores da democracia na América Latina. A diplomacia petista ateve-se a passar a mão na cabeça de governantes obtusos e ainda enroscados em uma dobra do tempo pré-queda do Muro de Berlim. Esse é o legado lulista numa perspectiva de avanços e retrocessos nas instituições democráticas do continente.


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