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Fernando Rodrigues



22/03/2010
Os nanicos

Fernando Rodrigues
De Brasília


Uma dúvida importante tem passado ao largo das análises da atual disputa presidencial: quantos serão os candidatos de partidos pequenos?
O número de postulantes ao Planalto tem relação direta com a possibilidade de haver segundo turno.
O desempenho dos nanicos é ainda uma incógnita. Juntos, no papel, representam um fator real a ser considerado nas previsões sobre a eleição de outubro.
Esta será a primeira disputa presidencial pós-ditadura militar sem um eixo organizador chamado Luiz Inácio Lula da Silva. Em certa medida, será um cenário parecido com 1989, com muitos candidatos e só algumas certezas esparsas.
Há um lumpensinato equivalente a cerca de 5% a 10% do eleitorado que pode se sentir à vontade para protestar ao seu modo. Por exemplo, apoiando alguns candidatos com ideias esdrúxulas. Não ganham a eleição, mas levam a decisão para o segundo turno.
Neste ano, depois de dois pleitos seguidos (2002 e 2006), não haverá verticalização. Era a regra que engessava os partidos na hora de fazer alianças, obrigando-os a repetir ou a respeitar uma mesma coalizão em todos os Estados e na disputa presidencial. Sem essa amarra, pelo menos oito microssiglas já anunciaram candidatos próprios ao Planalto: PCO, PHS, PRTB, PSDC, PSL, PSOL, PSTU e PT do B. O PCB também estuda entrar na corrida.
Em 1989, a mais desarranjada eleição recente, os nanicos tiveram 5,5% dos votos válidos. Foi um recorde. A verticalização esterilizou um pouco essa onda. Em 2006, só quatro candidatos de partidos pequenos disputaram -somando 2,9%. É lícito agora imaginar esse percentual sendo dobrado.
Tudo somado, os candidatos exóticos propondo aerotrens e a busca da felicidade -há também um Obama brasileiro- podem acabar tendo um protagonismo inesperado. É mais um aspecto curioso da jovem democracia brasileira.


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