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Fernando Rodrigues



03/04/2010
O PMDB grande

Fernando Rodrigues
De Brasília


A permanência de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central eleva ao paroxismo a fase de grande fortalecimento do PMDB. O partido esnobou e humilhou o banqueiro goiano rico. Vetou a sua pretensão de ser candidato a vice-presidente na chapa oficial para o Planalto, encabeçada por Dilma Rousseff, do PT.
Quanta diferença dos anos 80. Na fase final da ditadura militar, o PMDB engoliu de bom grado em suas fileiras o ex-presidente do PDS (ex-Arena) José Sarney para compor a chapa que disputou e ganhou a última eleição indireta para o Planalto. Sarney é (sic) do PMDB até hoje. É o epítome do inchaço da sigla ao longo do tempo. Essa elefantíase foi a causa do desmantelamento da agremiação.
Mas Lula salvou o PMDB. Num determinado momento, a sigla chegou a ter sete ministros na Esplanada. Está unificada de maneira inédita. Entrará pela porta da frente no condomínio lulista indicando o deputado Michel Temer como candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff.
Apesar de ainda haver muita divergência em nível regional, a cúpula peemedebista está fechada em torno do projeto eleitoral federal.
Já traça também planos minuciosos para 2011, quando espera que Michel Temer passe a morar no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente.
No Congresso, o PMDB sonha em manter José Sarney no comando do Senado e entregar a presidência da Câmara para o deputado Henrique Alves, hoje líder da legenda -e o cargo de liderança seria então preenchido pelo laborioso Eduardo Cunha, peemedebista do Rio.
Tudo somado, se Dilma for mesmo eleita presidente, o PT receberá um duro legado de Lula: um PMDB mais forte do que nunca no Congresso e com um apetite para cargos e verbas jamais visto.


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