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Fernando Rodrigues



05/05/2010
Sangue-frio até a Copa

Fernando Rodrigues
De Brasília


Faltam dois meses para o dia 5 de julho. Essa é a data-limite imposta pela lei para todos os candidatos passarem a ser de fato o que já são hoje. Até lá, nos Estados e no plano federal, os políticos blefarão na esperança de ampliar suas alianças e obter mais tempo na propaganda de rádio e de TV.
É também ao longo dos próximos 60 dias que os candidatos a presidente e a governos estaduais definirão quem serão seus vices. Na disputa pelo Planalto, José Serra se equilibra com a esperança de ter o tucano Aécio Neves ao seu lado ou Francisco Dornelles, do PP. É possível que o nome escolhido não seja nenhum desses dois.
Do outro lado, o PT pretende formalizar uma inédita parceria pré-eleitoral com o PMDB. Nunca essas duas siglas estiveram juntas numa eleição presidencial nesta fase da campanha. O peemedebista Michel Temer deve ser o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Dilma Rousseff.
Como se trata de um momento de ajuste político fino, os partidos estão todos testando e sendo testados. Quem tiver mais sangue-frio (e um pouco de sorte) acabará se saindo melhor na linha de largada, em julho. No caso da eleição presidencial, o consenso mais nítido no momento é sobre a competitividade grande entre Serra e Dilma.
O deputado Gustavo Fruet, do PSDB do Paraná, é talvez um dos políticos mais ponderados hoje dentro do Congresso. Ele resume assim o atual momento: "Há dois ou três meses, parecia que a eleição estava ganha pelo PT. Agora, o jogo se reequilibrou. É impossível fazer previsões. Só há a certeza de uma disputa muito acirrada".
As pesquisas eleitorais serão um termômetro nas próximas semanas. Se não houver grandes alterações, todos venderão a ideia de terem realizado boas pré-campanhas. Tudo considerado, Serra e Dilma jogarão na retranca até um pouco depois da Copa do Mundo. Depois, virá a disputa real.


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