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Fernando Rodrigues



08/05/2010
A estratégia do medo

Fernando Rodrigues
De Brasília


O PT tem disseminado a noção de que só "uma pessoa que tenha a mesma visão de Lula" será capaz de fazer o Brasil progredir. A afirmação é do comercial petista de 30 segundos veiculado várias vezes na quinta-feira na TV.
A narrativa usa como alegoria a imagem de uma montanha-russa. Quando o carrinho sobe, trata-se de Lula e alguém com a "mesma visão" no comando. Na descida desembestada, as pessoas fazem cara de pânico -uma reação à oposição no poder. Ao final, uma inscrição peremptória: "O Brasil não pode voltar ao passado". É um marketing popular cuja estética se assemelha a obras do lendário diretor de filmes B Roger Corman ou à série de terror "Sexta-Feira 13".
Todos os petistas repetem o mantra à exaustão. "É Dilma ou a barbárie", profetizou nesta semana um jornal do partido. Ontem, Lula disse ser preciso não "deixar esse país regredir". Dilma Rousseff, por óbvio, estava ao seu lado.
Esse tipo de abordagem não é nova na política. Foi exatamente a mesma tática usada por Fernando Henrique Cardoso em 1998, ao tentar a reeleição. Deu certo. Na TV, o tucano era apresentado como "um líder com pulso firme num mundo turbulento". A crise econômica e a memória recente da inflação sepultaram as chances do PT.
Já em 2002, a tática fracassou. A atriz Regina Duarte foi à TV declarar ter medo de uma vitória do PT. Esforço inútil. Lula ganhou e seu marqueteiro inventou a frase "a esperança venceu o medo".
Na eleição seguinte, em 2006, o PT escanteou a esperança e preferiu usar o medo a seu favor. Espalhou de maneira eficaz a interpretação de que o PSDB privatizaria o país inteiro. Lula foi reeleito.
Agora, a história se repete parcialmente. Esta é a primeira eleição na qual a economia estará bem aquecida. Vai dar certo? Não se sabe. Mas há uma incrível similitude e alternância de discursos entre PT e PSDB nas últimas campanhas.


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