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Fernando Rodrigues



12/05/2010
Fixação de imagem

Fernando Rodrigues
De Brasília


Enquanto o brasileiro se ocupa da escalação da seleção de futebol para a Copa, os pré-candidatos a presidente usam o período atual de baixa densidade política para testar hipóteses.
Foi o que se passou no início da semana quando José Serra bateu na atuação do Banco Central. Embora o tucano sempre tenha sido um crítico da política monetária adotada com alegria por FHC e por Lula, a posição apresentada de maneira forte, em público, serve como um laboratório para o PSDB.
As campanhas de Serra e da petista Dilma Rousseff se municiam agora das chamadas pesquisas qualitativas. Frases e atitudes mais polêmicas são testadas em encontros com grupos de eleitores. Todos conversam sob a coordenação de pessoas treinadas no ofício de decifrar a alma do brasileiro.
Se um grupo representativo de eleitores dá sinal de positivo para ataques ao BC, assim será. Não há novidade nesse tipo de estratégia. Em 2002, Lula ganhou a eleição com o ouvido colado nas "qualis".
A dificuldade de Lula no universo feminino foi atacada com uma propaganda na qual apareciam dezenas de mulheres grávidas, vestidas de branco e caminhando ao som de "Bolero" de Ravel. Jeca? Pode ser. Mas o PT faturou o Planalto.
Nesta semana, talvez de forma inadvertida, Serra produziu material farto para testes. O brasileiro vai votar levando em consideração os juros mais altos no mundo praticados por aqui? Não se sabe. Dilma Rousseff antecipou-se e foi na direção oposta. Exaltou a tal independência do Banco Central.
A seu modo, a petista tenta também fixar uma imagem. O PT carrega o carma de ter sido pouco amigável ao capital no passado. Mas todos esses movimentos são preliminares. Só lá para agosto, muitas "qualis" depois, os candidatos terão uma imagem montada para vender na campanha.


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