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Fernando Rodrigues



15/05/2010
A dose do remédio

Fernando Rodrigues
De Brasília


Quando José Dirceu, Antonio Palocci e tantos outros petistas ilustres foram alijados da linha sucessória de Lula, vários nomes surgiram para tentar preencher esse vácuo político.
Dilma Rousseff foi uma das opções. Havia outros petistas no páreo. Jaques Wagner, Marta Suplicy, Patrus Ananias e Tarso Genro eram alguns deles. Mas Lula preferiu escolher mesmo sua ex-ministra de Minas e Energia.
No programa partidário do PT nesta semana, o presidente apareceu enaltecendo sua candidata. Comparou-a a Nelson Mandela. Num dos trechos, deu a entender que deve quase tudo a Dilma: "Ela simplesmente foi exuberante na coordenação do meu governo. Eu digo, sem medo de errar: grande parte do sucesso do governo está na capacidade de coordenação da companheira Dilma Rousseff".
Trata-se de uma interpretação elástica da história. Tivesse sido outro o escolhido para ser o candidato a presidente pelo PT, a frase de Lula poderia ter sido assim: "Eu digo, sem medo de errar: grande parte do sucesso do governo está na capacidade de coordenação do companheiro Patrus Ananias". Surgiriam então imagens dos milhões de beneficiados pelo Bolsa Família.
Discurso eleitoral é assim mesmo. Não há surpresa no exagero dos partidos ao venderem seus candidatos, todos perfeitos.
No caso da estratégia do PT, o remédio está sendo usado em doses cavalares. O lulismo foi inoculado em grau máximo na biografia de Dilma Rousseff no programa de TV da quinta-feira. Essa nova interpretação do papel da petista nos últimos sete anos ao lado de Lula é considerada vital para haver chance de sucesso em outubro.
Há um risco. Remédio em dose muito elevada transforma-se em veneno. Mata o paciente. Os adversários do PT contam com essa calibragem exagerada de Lula. Na quinta-feira, na TV, o uso do medicamento aproximou-se do limite.


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