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Fernando Rodrigues



26/05/2010
Calibragem

Fernando Rodrigues
De Brasília


A longa exposição dos três principais candidatos a presidente ontem na Confederação Nacional da Indústria serviu para observar como cada um vai ajustando a sua estratégia.
Dilma Rousseff (PT) fez o discurso conhecido. Números e relatos de realizações do governo. Falou o que os empresários gostam de ouvir, exceto ao defender a ortodoxia de Lula nos juros.
Embora ainda não esteja desenvolta como políticos tarimbados, é inegável o avanço da petista na técnica de falar em público. Está num estágio de ajustes.
Marina Silva (PV) convidou os empresários a "sonhar mais" e a "antecipar o futuro". É talvez o discurso mais simpático, mas soa desconectado da realidade. Pelo menos até agora, os eleitores não reverberam as palavras da candidata verde.
Por fim, José Serra (PSDB) continua perseguindo uma condição inaudita. Deseja atuar de três formas ao mesmo tempo: 1) sendo o candidato de oposição; 2) preservando o popular Lula; 3) atacando o lulismo patrimonialista no governo federal.
Trata-se de um algoritmo político difícil de ser decifrado. O tucano parece estar trabalhando com o método de tentativa e erro.
Ontem, ao discursar, Serra bateu no que chamou de falta de planejamento da administração federal. Foi sarcástico ao dizer não entender quando Dilma explica impostos e taxa de juros.
Em semanas recentes, Serra evitava apontar defeitos em Lula e em sua candidata. No encontro da CNI, mesmo sem ser beligerante, foi explícito nas críticas.
É uma calibragem nova. Talvez efeito da alta da petista nas pesquisas. Não há ainda como aferir o efeito dessa alteração tática. Mas o tucano sinaliza estar saindo da cartilha seguida nos últimos dias.


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