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Fernando Rodrigues



03/07/2010
Empate e futuro

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - A corrida presidencial começa com um empate no primeiro lugar. O Datafolha deu 39% para José Serra (PSDB). Dilma Rousseff (PT) pontuou 38%. Esses percentuais só descrevem o cenário atual.
O mais relevante são as curvas de cada um. Dilma está em ascensão. Serra oscila numa mesma faixa há meses. Não avança.
O tucano se segura estoicamente entre os 78% dos eleitores que aprovam Lula. Cerca de um terço deles (34%) declara voto em Serra. É uma tarefa difícil conseguir ampliar esse tipo de voto.
Até porque quem avança nessa área é Dilma. Em dezembro de 2009, no papel de candidata oculta, tinha 32% entre os eleitores pró-Lula. Hoje está com 46%.
Analistas tucanos podem argumentar que a petista empacará nesse patamar. Essa é uma possibilidade, embora ainda sem elementos científicos para comprová-la.
Uma hipótese é Dilma ter péssimo desempenho em debates, em confronto direto com Serra. Haverá cinco encontros assim no primeiro turno. Mas é apenas futurologia saber como eles vão se sair.
Nas aparições controladas, Dilma teve mais êxito que Serra. Quando surgiu na TV -sempre ao lado de Lula-, reagiu positivamente nas pesquisas. Já Serra, ao estrelar comerciais, conseguiu, no máximo, ficar no mesmo lugar.
Outros três dados também devem ser levados em conta: 1) Dilma terá 50% a mais de tempo de TV na propaganda eleitoral na comparação com seu adversário tucano; 2) 25% dos eleitores ainda não sabem que ela é apoiada por Lula; 3) entre os atuais eleitores de Serra, 17% dizem que o apoio de Lula a um candidato os "levaria com certeza" a votar nessa pessoa.
Tudo considerado, os percentuais do empate na largada só traduzem ações da pré-campanha. Iluminam algo já consumado -como a imagem da lanterna na popa, tão usada por Roberto Campos.



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