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Fernando Rodrigues



19/07/2010
Ficção



BRASÍLIA - PSDB e PT estão no poder há quase 16 anos: Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). O tucano e o petista fizeram poucos esforços para modernizar a política. Só houve alterações pontuais, muitas vezes para pior.
Na semana passada, o presidenciável José Serra (PSDB) falou sobre o tema: "Apesar das resistências, vou peitar a reforma política".
Dilma Rousseff (PT) também já se declarou a favor dessa reforma. Diz defender uma constituinte exclusiva -um Congresso com poderes especiais para alterar as regras com quorum facilitado.
Não está claro como Serra vai "peitar" esse obstáculo nem como Dilma fará uma constituinte limitada à reforma política. Nenhum deles forneceu detalhes em seus planos de governo entregues neste mês à Justiça Eleitoral.
Quando se observa a vida real, há razão de sobra para desconfiar da real intenção de ambos. No caso de Serra, ele critica a presença de candidatos nanicos em debates presidenciais. Descreveu-os, sem muita gentileza, como "gente que não tem representatividade".
Serra está certo, mas sua declaração é curiosa. A aliança eleitoral do tucano abriga PMN e PT do B. Juntos, esses partidos tiveram 1,3% dos votos para deputado federal em 2006. Dilma tem o apoio de PTN, PSC e PTC -inexpressivos 2,9% do votos de quatro anos atrás.
Em público, a petista e o tucano falam genericamente em reformar a política. Na prática, aliam-se a uma parte considerável daquilo que dizem abominar. Esses partidos nanicos vivem como parasitas dos maiores. Sobrevivem à sombra de uma lei criada ainda no final da ditadura militar.
Nada contra a existência de siglas políticas pequenas. Uma democracia robusta deve abrigar todo o espectro político. O problema é a ficção no discurso de quem promete uma coisa e faz outra.



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