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Fernando Rodrigues



31/07/2010
Eleições e internet

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASíLIA - A internet ainda não pegou nas eleições brasileiras. Pelo menos, não como no modelo visto nos Estados Unidos em anos recentes, com milhões de pessoas fazendo campanha e doando dinheiro para seus candidatos.
O Datafolha apurou que apenas 7% dos eleitores se informam a respeito de quem são os candidatos por meio da rede mundial de computadores. Como passam de 70 milhões os brasileiros conectados, é possível inferir com alta dose de acerto que as pessoas usam a internet para muitas coisas, mas só uma parcela diminuta elege essa plataforma como ferramenta para formar juízo sobre os políticos.
Há várias hipóteses para explicar esse cenário. Uma das mais plausíveis é a incapacidade dos próprios políticos de usar a rede com eficiência. Até este ano, trabalhar com internet em eleições restringia-se a ter um site alimentado por assessores. Há também os candidatos especializados em perder eleitores mandando toneladas de e-mails a respeito do último comício realizado no interior.
Essa estratégia conservadora, quase analógica, está mudando. Alguns candidatos passaram a filtrar mensagens enviadas, direcionando-as a públicos específicos. Essa tarefa é difícil. Um político pode precisar atingir no interior de São Paulo jovens de 18 a 25 anos, com faixa de renda até 10 salários mínimos. Como encontrar esse público na web? Os partidos passaram anos sem fazer nada que se aproxime de um banco relacional de dados sobre seus militantes.
Quem tem essas informações são algumas redes de farmácias e supermercados. As listagens não estão à venda. Políticos nos EUA como Barack Obama passaram quase dois anos montando seus bancos de dados de e-mails. Aqui, esse movimento acaba de começar. Surtirá algum efeito nas eleições municipais de 2012. Ou, mais provável, só na sucessão presidencial de 2014.



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