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Fernando Rodrigues



07/08/2010
Infância democrática

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - Terminado o primeiro debate entre candidatos a presidente da República, houve uma impressão mais ou menos consensual. Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) não tiveram um desempenho excepcional, mas se salvaram. Marina Silva (PV) foi pouco marcante. E Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) foi o franco atirador, ganhando uma mídia espontânea que nunca teve.
Plínio chamou Dilma de "dona Dilma", Marina de "ecocapitalista" e Serra de "hipocondríaco". Para usar uma terminologia do marxismo, o candidato do PSOL era no debate como a classe operária: não tinha nada a perder.
O encontro entre os quatro presidenciáveis na TV Bandeirantes na noite de quinta-feira foi morno como já era esperado. Nem foi novidade o fato de um dos candidatos com quase traço nas pesquisas chamar a atenção. O folclórico Enéas Carneiro (1938-2007) era sempre a estrela por onde passava com seus 15 segundos de fala.
É evidente que todos os candidatos devem ter espaço na mídia. Merecem ser entrevistados, ouvidos. Mas quem não desejaria hoje, antes do primeiro turno, assistir a um encontro apenas entre Dilma e Serra, mano a mano, olho no olho? Sem desmerecer nenhum dos outros postulantes, já está clara e irreversível a polarização entre PT e PSDB.
Marina e seu discurso da transversalidade e Plínio com sua franqueza perfurocortante são interessantes. Na prática, ajudam a proteger Dilma e Serra. O tempo poderia ter sido dividido por dois, entre a petista e o tucano. Por imposição legal, o horário do debate acabou fatiado em quatro.
A lei impede debates em TV ou rádio só com os dois mais bem colocados nas pesquisas. É outro traço da infância democrática do sistema eleitoral brasileiro. A pretexto de dar espaço a todos, reduz-se o nível de informação geral sobre quem realmente importa.



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