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Fernando Rodrigues



26/01/2011
A busca do atrito zero

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - Dilma Rousseff esteve ontem em São Paulo. Na sua breve passagem pela cidade, afagou dois líderes dos principais partidos de oposição, Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM).
A presidente participou de uma homenagem a José Alencar, o ex-vice-presidente. Poderia ter ficado nas declarações protocolares ao citar quem estava presente. Preferiu optar por saudar Kassab "com muito carinho". Alckmin recebeu "um cumprimento especial".
Dilma foi explícita ao prometer "continuar" o "processo de investimentos" na cidade de São Paulo, quando se dirigia ao prefeito paulistano, Kassab. Ao governador Alckmin falou sobre "a parceria feita entre o governo federal e o governo do Estado".
Não custa lembrar que até agora só um governador foi recebido com pompa e circunstância por Dilma no Planalto, com direito a foto e outras deferências. Poderia ter sido alguém do PT ou do PMDB, mas o escolhido foi o mineiro Antonio Anastasia, do PSDB.
Tudo considerado, a presidente nessas suas primeiras semanas no cargo fez poucos gestos políticos públicos. Quando os fez, tratou de enviar afagos a líderes de partidos de oposição. Essa busca de atrito zero ou a aversão à fricção com seus adversários passa a ser uma marca do início da administração Dilma. Aliás, o noticiário tem sido mais farto sobre descontentes dilmistas do que oposicionistas.
Essa aliança entre o Planalto e os governadores pode ser útil para Dilma. Temas espinhosos como o aumento do salário mínimo desembocarão no Congresso. A solução pode ser mais suave se os Estados ajudarem a frear um aumento incompatível com as contas públicas.
Só será possível julgar a eficácia do estilo político de Dilma ao longo dos próximos meses. Por enquanto, só se nota uma grande diferença entre ela e seu antecessor, cujas menções recentes eram sobre "extirpar" partidos de oposição.



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