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Fernando Rodrigues



07/02/2011
O Egito e a democracia

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - Democracia não é inata ao ser humano. Ninguém nasce democrata. O sistema está longe de ser consensual para os cidadãos. Não importa o país. Basta observar nações ditas democratas o tempo todo falando em reforma política.
A estagnação econômica do Egito e o custo dos alimentos (gasta-se por lá perto da metade do salário para comer) levaram aos protestos atuais. Tenho dúvidas de que o desejo por mais democracia seja o motor principal das manifestações. A economia e a sensação (ou falta dela) de bem-estar dos cidadãos são os fatores que contam.
Entre as previsões de analistas, pitonisas e especialistas instantâneos sobre o Egito, o vaticínio mais correto é talvez o mais sombrio: demorará muito até a chegada de uma democracia robusta naquele país. Tem sido assim no mundo inteiro. No Brasil, inclusive.
Depois de 21 anos de ditadura, os brasileiros adotaram um democratismo matusquela que já dura além de um quarto de século. Sem valores republicanos, e por muitos anos sem partidos nem eleições livres, o Brasil passou a dar tempo de TV e rádio -pago com dinheiro público- para todo tipo de embusteiro, como se essa medida elevasse os padrões da política. No Congresso, escândalos em série são a praxe. Nos Executivos, vigora a fisiologia. A Justiça, sabe-se, só é rápida para endinheirados e com poder de contratar bons advogados.
Quando se olha a linha do tempo, o Brasil tem melhorado. Mas sua democracia segue imperfeita apesar dos mais de 25 anos na estrada -que é desprovida de atalhos.
O Egito e o mundo árabe em convulsão têm uma viagem longa pela frente. A democracia pode ser o ponto de chegada, mas não está claro que será o destino final.
 

 


Depois de 14 anos às segundas-feiras neste espaço, emocionado despeço-me para enfrentar novos desafios. Manterei as participações às quartas-feiras e aos sábados.



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