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Fernando Rodrigues



26/02/2011
A banda estreita de Dilma

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - É louvável o governo federal se preocupar em tornar universal o acesso à internet no Brasil. Antes tarde do que nunca. Mas há um evidente exagero em chamar de Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) um programa cuja velocidade de conexão oferecida será de 516 kbps a 784 kbps (kilobits por segundo). Nessas condições, o usuário mal consegue baixar os e-mails que recebe. Com certeza, não os baixará se estiverem com alguns arquivos de fotos anexados.
Para piorar, esse acesso dito barato (até R$ 35 mensais) e de baixa velocidade só estará disponível de forma disseminada (em 68% dos domicílios) em 2014. Daqui a quatro anos, o que hoje é considerado lento talvez se torne inútil.
O ministro da Comunicações, Paulo Bernardo, em uma entrevista recente explicou a opção pela lentidão: "Para algumas finalidades, é uma velocidade satisfatória. Para ler jornais, baixar e subir fotos, para um uso modesto. Mas hoje, no Brasil, 34% das conexões são de até 256 kbps; 20%, de 256 kbps a 1 mbps [megabits por segundo]; e acima de 8 mbps tem somente 1%. Então, disseminar 512 kbps vai ser um avanço enorme, mas isso não nos exime de fazer um plano para ter conexões de 2 gbps [gigabits por segundo] no Brasil em oito anos".
O cenário é desalentador. Primeiro, um serviço de internet lento e de baixa qualidade nos próximos quatro anos. Conexões mais sofisticadas, só no final desta década.
Ao resignar-se a esse atraso tecnológico, o governo admite sua incompetência gerencial. Condena o Brasil ao século passado. Informação é uma commodity vital para o desenvolvimento. É inconcebível uma administração há oito anos e dois meses no Palácio do Planalto ainda não ter pensado em como abreviar os prazos de implantação de uma banda larga real no país.
Dilma Rousseff tem repetido em discursos sua promessa de melhorar a educação no país. Sem internet rápida, não cumprirá a meta.



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