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Fernando Rodrigues



19/03/2011
A primavera dos partidos

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - Será mesmo criado o novo PSD (Partido Social Democrático). A operação é capitaneada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (no momento, no DEM).
Assim como o universo, o número de partidos no Brasil está sempre em expansão. Essa tem sido a lógica nos últimos anos. O político fica descontente com sua legenda, faz as malas e monta outra sigla.
No caso do PSD de Kassab, é cedo para afirmar se haverá sucesso mais adiante. Mas é inegável o estado de esfacelamento do DEM. Como os kassabistas dizem, agora o partido novo pode ter um número moderado de apoios; já o Democratas não terá nenhuma adesão num futuro próximo -ao contrário, perderá um punhado de quadros.
Se o PSD conseguir vocalizar os anseios de parte significativa da sociedade, ganha a democracia -embora, ressalte-se, é cedo para fazer previsões. Só haverá prejuízo se essa legenda se transformar em mais um nanico na atual sopa de letrinhas chancelada pelo TSE.
O Brasil tem hoje 27 partidos registrados. Muitos são inexpressivos. Não têm conexão com o eleitor. Vivem de favor do Estado -que oferece dinheiro do fundo partidário e acesso ao rádio e à TV.
O PRTB, o partido do aerotrem, por exemplo, teve 318 mil votos para deputado federal no Brasil inteiro em 2010. Mas só neste ano já recebeu R$ 239,8 mil. Embolsará perto de R$ 1 milhão até dezembro. Vive à custa dos pagadores de impostos. Tem também o direito (sic) de aparecer a cada seis meses interrompendo os telejornais da noite.
Siglas como o PRTB não devem ser proibidas de existir. O despautério é terem um acesso desproporcional ao dinheiro público quando se observa o apoio quase nulo que recebem nas urnas.
O PSD de Kassab nasce como um PRTB. Se crescer, preencherá uma lacuna no espectro político nacional -a centro-direita. Se fracassar, será mais um zumbi vivendo com verbas do Estado.



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