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Fernando Rodrigues



20/04/2011
Propaganda estatal

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - Por volta do início de março, os brasileiros assistimos a uma propaganda estatal na TV sobre a ascensão do sexo feminino. Era para comemorar o Dia Internacional da Mulher. "No Brasil de hoje, ela tem a oportunidade de ser o que quiser", dizia o comercial de 30 segundos, ainda disponível em //bit.ly/video-mulher.
Nada contra, tudo a favor de enaltecer a mulher. Mas tudo muda quando há dinheiro público. Uma campanha de vacinação ou de prevenção da dengue é sempre bem-vinda. Só que falar sobre como o mundo está mais amigável para o sexo feminino não tem nada a ver com interesse público.
Aliás, a ideia-força da edulcorada propaganda contém um erro de concepção. Induz ao autoengano. Machismo e sexismo estão longe de acabar na sociedade brasileira.
Esse tipo de peça publicitária sem nexo é exemplo do descontrole da publicidade estatal. O governo nem sequer revela quais são os milhares de veículos receptores dos recursos para transmitir ou publicar os comerciais. No Brasil, a publicidade chapa-branca imita o universo: está em expansão. Lula bateu recorde atrás de recorde. Em 2010, seu gasto atingiu R$ 1,629 bilhão. Em oito anos, R$ 10,3 bilhões.
Em nível local, a situação é pior. Ficam em segredo até os valores globais investidos em propaganda em todas as mais de 5.000 prefeituras e nos Estados. Somados, devem resultar no maior gasto publicitário estatal do planeta Terra.
Dilma Rousseff assumiu o Planalto neste ano. Com reputação de boa administradora, terá a oportunidade de analisar a qualidade dos investimentos realizados pelo governo federal em publicidade.
Gastar dinheiro para dizer que a mulher "tem a oportunidade de ser o que quiser" não parece ser a prioridade de um país que anunciou cortes de R$ 50 bilhões em seu Orçamento. Dilma ainda tem algum tempo para refletir sobre a política de seu governo nessa área.



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