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Fernando Rodrigues



30/04/2011
Outra fusão: PSD & DEM

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - Pode parecer esdrúxulo. E é. Mas na micropolítica nos salões do Congresso essa é uma hipótese recorrente: a eventual aquisição hostil do DEM pelo PSD (partido novo de Gilberto Kassab).
Seria o sonho dourado dos neokassabistas. Resolveriam assim o problema incontornável de uma legenda nova nascer sem tempo de TV. A agremiação só terá amplo acesso ao horário eleitoral depois de conseguir uma bancada de deputados federais em 2014. Até lá, terá de se conformar com segundos à la "meu nome é Enéas".
A bruxaria é complexa. Funcionaria mais ou menos com a seguinte lógica política e cronológica:
1) Desidratação do DEM: dezenas de filiados continuarão a deixar, nas próximas semanas, o partido que um dia foi Arena, PDS e PFL.
2) Formalização do PSD: enquanto isso, Kassab consolidará uma bancada de deputados, senadores e governadores muito superior à do DEM pré-derrocada.
3) Infiltração: kassabistas continuam entrincheirados dentro do DEM. Esses anfíbios pretendem influir na convenção nacional marcada para 27 de setembro, quando os demistas escolhem uma nova direção nacional. Antes, farão ataques especulativos nos encontros demistas estaduais (20 de agosto) e municipais (16 de julho).
4) Aquisição hostil: em setembro, depauperado, sem bancadas relevantes no Congresso e nos Estados, o DEM será forçado a fazer uma fusão para sobreviver em eleições futuras. O PSD recém-criado se apresentará para fazer o negócio, mimetizando o cenário em que uma empresa compra a outra em estado falimentar. Ocorre uma fusão. Nasce uma nova agremiação com uma denominação ainda a ser escolhida -até porque o nome PSD está inviabilizado judicialmente.
Qual a chance desse enredo rocambolesco se tornar realidade? É pequena ou impossível de aferir. Mas a história é cada vez mais contada e ouvida aqui em Brasília.



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