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Fernando Rodrigues



07/05/2011
Covardia

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - A reforma política vai morrendo de morte morrida. Era o previsto. Se o Congresso voltar a tratar de financiamento eleitoral, vale a pena observar as contas partidárias do ano passado.
Dados divulgados pelo TSE indicam várias anomalias do sistema brasileiro. Quando se observam os 12 maiores partidos segundo o tamanho na Câmara (o PV, de Marina Silva, é o 12º), nota-se uma predileção pelas chamadas doações ocultas. O dinheiro entra misturado no caixa das legendas e sai diluído para comitês eleitorais pelo país.
Ao todo, os 12 maiores partidos transferiram para candidatos e comitês eleitorais R$ 530 milhões em 2010. A dinheirama irrigou centenas de contas de políticos.
Sabe-se quem forneceu esses recursos aos partidos -empreiteiras, bancos e empresários em geral. Mas fica oculta a informação exata sobre quais empresas financiaram cada um dos candidatos. É uma situação esdrúxula. Os brasileiros votam sem saber quem banca os seus representantes para o Congresso e outras instâncias de governo.
O argumento ecumênico usado por todas as legendas é sempre o mesmo: as empresas ficam constrangidas de dar dinheiro diretamente aos candidatos. Em resumo, as empresas querem ficar no conforto das sombras. Já os políticos aceitam "con gusto" essa atitude.
O nome dessa estratégia é uma só: covardia. Faz parte da construção da democracia empresas terem coragem de ter posições. É função também dos políticos pedir recursos de maneira legal e aberta.
Cínicos e céticos dirão "como é ingênuo esse jornalista". Esses niilistas de ocasião são os defensores do financiamento exclusivamente público para campanhas eleitorais -o ocultismo elevado ao paroxismo. Tratar o dinheiro eleitoral de forma mais transparente ninguém quer. Até porque, admitamos, a sociedade brasileira está longe de exigir tal nível de civilidade.



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