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Fernando Rodrigues



08/06/2011
Governo em mutação

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - O convite à senadora Gleisi Hoffmann para substituir Antonio Palocci na Casa Civil marca uma inflexão relevante no governo de Dilma Rousseff. Sai um paulista e homem de inteira confiança de Lula. No lugar entra uma paranaense e representante de uma nova geração de petistas.
Quando Dilma formou seu ministério, no final de 2010, havia um aspecto marcante: os cargos eram quase todos preenchidos com gente de Lula, do PT, do PMDB e adjacências. Nome exclusivo e do convívio direto da presidente só mesmo o de Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
É evidente que Gleisi Hoffmann deve muito de sua carreira a Lula. O marido da senadora, Paulo Bernardo, foi ministro no último governo e agora ainda ocupa uma vaga na Esplanada, na pasta das Comunicações. Também parece óbvio que o ex-presidente tenha sido ouvido a respeito da nomeação da petista do Paraná. Ainda assim, trata-se da primeira mudança ministerial operada durante a administração atual. A escolha foi uma opção pessoal de Dilma Rousseff.
Pode parecer pouco, mas faz uma grande diferença. Nas últimas três semanas, pairou nos céus de Brasília a onipresença de Lula em todas as decisões e estratégias adotadas no Planalto. A crise chegou agora a um desfecho com uma atuação direta de Dilma.
É possível argumentar que a presidente demorou além do necessário para colocar fim à sangria política. Foram 24 dias de desarticulação e imobilismo. Mas tratava-se de Palocci -o ministro mais forte do governo e o principal ponto de contato entre Dilma e Lula.
A presidente almoçou ontem com senadores do PTB. Fernando Collor foi um dos comensais. Dilma parece estar disposta a dar mais importância a esse tipo de contato, que antes abjurava. Ela percebeu que políticos só não podem errar em uma coisa: na política.



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