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Fernando Rodrigues



13/07/2011
Marketing e realidade

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - Volto de férias e constato que o Partido da República está de novo envolvido em ações pouco republicanas.
Suspeitas de corrupção produziram a queda da cúpula do Ministério dos Transportes, uma capitania hereditária concedida ao PR. O donatário da sigla é Valdemar Costa Neto, um sobrevivente. Renunciou ao mandato de deputado em 2005, no auge do mensalão. Seria cassado. Escapou. Depois, voltou à Câmara em 2006 e 2010. Hoje, é a eminência parda de seu partido.
A presidente Dilma Rousseff nomeou Paulo Sérgio Passos ministro dos Transportes. Ao assumir, o novo titular prometeu "reajustes para limpar" a pasta. Impedirá a influência do poderoso Valdemar?
No Congresso, parte dos deputados e dos senadores do PR lamuriavam ontem pelos cantos. Faltaram a um almoço de líderes governistas. Justificaram com uma ironia tosca -estariam todos de regime.
Pela lógica da política em Brasília, nem o novo ministro fará uma razia nos Transportes nem o PR deixará o governo. Assim como as melancias se acomodam na carroceria de um caminhão rumo à feira, todos encontrarão seus espaços em breve. Continuarão a ir às compras, refestelando-se em licitações de estradas, pontes e viadutos.
Diante desse desfecho quase inevitável, fica uma dúvida sobre a real intenção pretendida pela presidente da República no episódio. Não está clara a fronteira entre o marketing e a realidade.
O Planalto age com destreza nesta crise. Dilma reforça a imagem de política firme, intolerante com atos de corrupção, a favor de uma profilaxia no setor de transportes. Afinal, cortou várias cabeças.
Mas há dúvida sobre o enquadramento dos 40 deputados (um número emblemático) e dos seis senadores do PR. Os tubos alimentando a fisiologia dessa legenda continuam ligados. Só nos próximos dias saberemos se Dilma irá, de fato, desconectá-los.



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