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Fernando Rodrigues



17/08/2011
Método na política

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - Dilma Rousseff aos poucos começou a receber políticos no Palácio do Planalto. Ontem foi a vez dos caciques de PC do B, PDT e PSB. Anteontem estiveram com a presidente os dirigentes do PT e do PMDB. Esses encontros têm sido raríssimos desde a posse.
O novo costume segue uma inusual lógica cartesiana para contatos políticos. Dilma Rousseff é metódica. Pegar o telefone, ligar para um deputado e jogar conversa fora? Nem pensar. Mas a presidente soube que os políticos se ressentem do pouco contato com ela. Sem problemas. Ordenou marcar reuniões regulares, formais e dentro do ambiente de trabalho, no Planalto.
Churrascos no Palácio da Alvorada? Jantares intermináveis com uma turma quase desconhecida? Fora de cogitação. Com seus interlúdios noturnos para receber grupos organizados de partidos, Dilma imprime um novo estilo de governar. Quer fazer política com método. É uma aposta e tanto na terra da cordialidade, das dissimulações e do "passe lá em casa".
Não que seja ruim ou bom esse novo sistema implantado pela primeira mulher a ocupar a Presidência da República. É por enquanto uma novidade. O país nunca experimentou um presidente, do mais fraco ao mais forte, que não tivesse alguns deputados e senadores "seus", aliados em quem pudessem confiar de olhos fechados.
Exceto os seus líderes formalmente (é claro) nomeados, não se tem notícia de alguém para quem Dilma possa telefonar com total liberdade no plenário da Câmara ou do Senado. FHC e Lula tiveram seus pontas de lança por ali. Política não é uma ciência exata.
A presidente é disciplinada. Costuma ler extensos relatórios do Banco Central ou do Planejamento. É um bom hábito, embora consuma muito do seu tempo. Para resolver seu problema de administração política terá de modular sua agenda e encontrar o ponto de equilíbrio entre leitura e conversas.



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