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Fernando Rodrigues



20/08/2011
De besta a bestial

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - Foi uma semana de intensos contatos políticos para Dilma Rousseff. Recebeu dirigentes partidários. Deputados e senadores tiveram encontros avulsos. Na quinta-feira, rodeada de tucanos, ouviu do governador paulista, Geraldo Alckmin, que a integração dos programas antimiséria se dava sob o "protagonismo" dela, Dilma. Os jornais estamparam a imagem da presidente ao lado de FHC.
A blitz levou os "spin doctors" do governo a produzir uma robusta rodada de inseminação de ideias. Dilma seria agora um gênio da política. A presidente teria dado uma aula de coordenação para seus aliados. Os problemas graves de relacionamento estariam, por essa lógica, todos se liquefazendo por causa da destreza mostrada pela petista nos últimos dias.
Menos, menos.
Não há na natureza uma besta que em uma semana se torne bestial -no sentido da gíria em Portugal. Dilma tem experiência política sólida. Ela está longe de ser a néscia das fofocas propagadas pelos próprios governistas. Mas tampouco há laivos de genialidade em seus movimentos recentes.
A única certeza, por enquanto, é que os problemas de gerenciamento político continuam a vicejar em Brasília. O comando da micropolítica do dia a dia segue capenga.
As ações empreendidas por Dilma nesta semana ajudam a mitigar suas dificuldades. Não são, porém, garantia de céu de brigadeiro mais adiante. Os estragos causados por meses de inapetência gerencial na política já estão contratados.
Dilma passou meses sem arbitrar sobre desavenças e picuinhas oriundas da Esplanada. Ânimos crispados deixaram escapar pistas sobre os malfeitos ali produzidos durante anos. Informações vazaram. Não há como "desvazá-las".
A presidente disse "basta". Está operando mais na política. Muito bem. Mas a ordem dilmista vale para a frente. Não há como retroagir e eliminar danos já causados.



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