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Fernando Rodrigues



14/09/2011
Doralice e a transparência

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - Doralice Bento de Sousa trabalhou de 2003 a 2010 para o deputado Pedro Novais, do PMDB do Maranhão. Era secretária parlamentar, mas prestava serviços de governanta, conforme revelaram Andreza Matais e Dimmi Amora.
Qual era o salário de Doralice? Não se sabe ao certo. A depender das gratificações, o valor varia de R$ 1.142 a R$ 2.284, pelo menos.
Quando Pedro Novais virou ministro do Turismo, apesar das estripulias em um motel usando dinheiro público, Doralice foi instalada numa empresa que presta serviços de mão de obra para o governo. Esse é outro buraco negro da administração pública federal. Não há dados disponíveis sobre quem são os milhares de funcionários terceirizados na Esplanada dos Ministérios nem quais são seus salários.
Já no site da Casa Branca (http:/ /1.usa.gov/ng5Wfw), sede do governo dos EUA, está disponível o valor de cada um dos salários e o nome de todos os funcionários de Barack Obama. Interessados também podem vasculhar os cerca de 1,6 milhão de dados contendo os nomes dos visitantes ao centro do poder norte-americano a partir de dezembro de 2009.
Se o Brasil já tivesse uma lei de acesso a informações públicas, seria possível saber um pouco mais sobre essa obscura história de Doralice Bento de Sousa. Hoje, só restam as lacônicas explicações de Pedro Novais, o cada vez mais enrolado ministro do Turismo.
Há uma chance remota de o projeto de lei de acesso a informações públicas ser votado no Senado por estes dias. Seria um primeiro passo para mudar a cultura da opacidade na qual proliferam muitos Pedros Novais e suas Doralices.
Também seria uma forma de Dilma Rousseff escapar de um constrangimento na semana que vem. Ela e Obama lançam no dia 20 a chamada Parceria para Governo Aberto. Sem uma lei de acesso, a presidente brasileira terá pouco a dizer na frente do colega dos EUA.



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