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Fernando Rodrigues



17/09/2011
Eles são quase iguais

Fernando Rodrigues
De Brasília


BRASÍLIA - Uma discussão quase bizantina tomou conta do mundinho da micropolítica em Brasília. Lula faria como Dilma e demitiria tantos ministros no início de seu primeiro mandato?
Para os dilmistas (eles existem cada vez em maior número), nem pensar. Lula passaria a mão na cabeça dos ministros encrencados e tudo ficaria por isso mesmo. Para os lulistas (ainda hegemônicos no PT), essa é uma falsa questão e quem a propõe só pretende semear a cizânia em solo alheio.
Os lulistas estão mais próximos da realidade. Até porque é impossível comparar o início do mandato de Lula com o de Dilma.
Lula foi eleito por uma aliança partidária raquítica. Em 2003, não havia nenhum ministro do PMDB flanando pela Esplanada com sua folha corrida exposta. Dilma chegou ao Planalto nas costas de dez legendas -a maior coalizão formal a eleger um presidente da República pós-ditadura. Ao montar sua equipe, a primeira mulher a ocupar o Planalto optou por ceder várias cadeiras a uma turma desqualificada que agora começa a cair.
Ontem, a presidente disse que escolhas políticas não "desmerecem nenhum governo". Mais ou menos. Se os indicados são Pedros Novais, desmerecem sim. Qualquer observador político com o Q.I. equivalente ao de um Forrest Gump saberia em dezembro passado que o então nomeado ministro do Turismo não poderia assumir o cargo em janeiro. Mas Dilma não teve presciência -ou coragem- para abortar o problema.
Para voltar à discussão do início, não há como saber qual teria sido o comportamento de Lula se em 2003 tivesse uma penca de Pedros Novais sob seu comando. Tampouco Dilma pode se vangloriar dos cinco ministros já ejetados neste ano. Quem os nomeou sem o devido cuidado foi a presidente. E todos só perderam a cadeira depois que a mídia -sobretudo a Folha- fez investigações independentes.



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