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29/08/2006 - 00h00
Cresce concentração de patrimônio entre políticos

FERNANDO RODRIGUES

  • em 1998, apenas 1% detinha 38% de todo o patrimônio
  • em 2006, o 1% mais rico tem 53,9% de todos os bens

    Aumentou a concentração de patrimônio entre os políticos vencedores brasileiros.

    Segundo dados do livro "Políticos do Brasil" e do site no UOL, em 1998, apenas 18 políticos (1% do total de eleitos) concentravam um valor total de R$ 663 milhões de patrimônio pessoal declarado. Esse montante eqüivalia a 38% de tudo que os 1.780 eleitos em 1998 diziam possuir.

    Em 2002, a concentração tornou-se mais acentuada. O 1% mais rico (também 18 políticos) passou a deter R$ 1,131 bilhão do patrimônio total entre os 1.790 eleitos daquele ano -o equivalente a 50% do total, um avanço de 12 pontos percentuais sobre o registrado em 1998.

    Agora, em 2006, quando se analisam os 1.439 políticos que venceram em 2002 e aparecem novamente como candidatos, a concentração deu outro pequeno salto. Quando se considera apenas os 14 declaradamente mais ricos (1% do total), eles detêm 53,9% de todos os bens declarados.

    A tabela a seguir detalha os números apurados:



    Segundo o livro "Políticos do Brasil", essa "concentração de patrimônio declarado em um grupo pequeno de políticos eleitos a cada ano ainda necessita de estudos adicionais para ser mais bem compreendida".

    O livro aponta que os políticos possivelmente "apenas mimetizam a sociedade brasileira como um todo", onde há uma conhecida má distribuição de renda. Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE, em 2004 a renda dos 10% mais ricos brasileiros eqüivalia a 44,7% do total. Já a renda dos 50% mais pobres ficava com apenas 14,1% do país.

    Outro aspecto a ser notado é que "a política brasileira passa, neste início de século 21, por uma lenta e gradual substituição de seu establishment, com a entrada de novos quadros, sobretudo de extratos sociais menos favorecidos do ponto de vista econômico".

    "Conforme mais pessoas com baixo patrimônio declarado ingressam na vida pública", aponta o livro "Políticos do Brasil", há a possibilidade de crescimento do "percentual de concentração da riqueza no topo da pirâmide -pois os políticos tradicionais e abastados continuam obtendo sucesso nas urnas. Entram mais pobres (ou menos ricos) no establishment, mas os muito ricos continuam também dentro do clube".

    Visite o site.

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