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30/08/2006 - 00h00
Só 11,3% dos vencedores na política brasileira são mulheres; no eleitorado, elas são 51,3%

FERNANDO RODRIGUES

  • Rio tem o maior número absoluto de mulheres vitoriosas
  • PT é o partido que mais dá espaço para o sexo feminino

    Que a política é um ambiente mais masculino do que feminino todos já sabiam. Agora, pela primeira vez, é possível fazer uma comparação evolutiva com todos os políticos vencedores em duas eleições (1998 e 2002) e constatar de maneira científica algo que já era intuído. Apenas 11,3% dos vitoriosos em 2002 eram mulheres. Em 1998, o percentual era ainda menor: 8,9%.

    Esses dados foram retirados do livro "Políticos do Brasil" e do site homônimo aqui no UOL.

    Em números absolutos, em 1998 havia apenas 158 mulheres (8,9%) entre todos os eleitos no país. Em 2002, o número pulou para 203 (11,3%).

    Segundo o "Políticos do Brasil", um levantamento da organização União Inter-Parlamentar divulgado em março de 2006 "coloca o Brasil como 107º no ranking de mulheres no parlamento entre 187 países pesquisados até o final de 2005. Na América do Sul, o Brasil ocupa a última posição numa pesquisa que registra a participação feminina em câmaras de deputados".

    O Brasil adota, desde 1997, um sistema de cotas que estabelece que cada partido ou coligação deve reservar um mínimo de 30% das suas candidaturas para mulheres. O problema é que não há a punição prevista em lei para as agremiações que não cumprem essa determinação.

    A discreta melhora do número de mulheres vencedoras na eleição de 2002 em relação a 1998 não ameniza a sub-representação do sexo feminino na política. Na eleição de 2002, estavam aptos a votar 115.271.811 eleitores. Desses, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 58.610.918 eram mulheres -o que representava 50,9% do total. Neste ano de 2006, o eleitorado é de 125.913.479. Desses, 64.882.283 são mulheres (51,5% do total).

    Em 2006, nada indica que haverá avanços. Ao contrário. Uma análise preliminar mostra que pode haver retrocesso. Entre os 1.790 políticos eleitos em 2002, encontram-se agora 1.439 que tentam a reeleição. Entre esses 1.439, só 152 são mulheres -ou seja, apenas 10,6% do total. Menos que os 11,3% de 2002.

    Como se observa, há um abismo entre o que as mulheres representam no eleitorado e o que elas conseguem de cargos públicos.

    As tabelas ao final deste texto são didáticas e mostram como e onde se dá a participação das mulheres na política brasileira (por partido, grau de instrução, estado civil e cargo disputado).

    Entre os dados a serem mencionados, o fato de o Estado do Rio de janeiro ser o local com o maior número absoluto de mulheres vencedoras na eleição de 2002. Ao todo, em território fluminense, foram eleitas 21 mulheres.

    No que diz respeito aos partidos políticos, o PT é o que mais dá espaço para o sexo feminino: 17,8% das vagas petistas conquistadas em 2002 foram preenchidas por mulheres. O PSDB vem logo a seguir (14,3%) e o PSB é o terceiro colocado (14,3%). O quarto lugar é do PMDB (11,7% das vagas obtidas ficam com mulheres). Depois, todas as outras legendas ficam abaixo da média nacional.

    A seguir, as tabelas que são muito explicativas sobre a presença feminina na política nacional:







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