UOL Notícias
 

29/08/2009 - 17h18

No meio de tanto country, Barretos resgata tradição da comida tropeira

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL Notícias
Em Barretos (SP)
Resgatar a tradição sertaneja e sua gastronomia rústica. Esse é o objetivo da competição da queima do alho, uma disputa entre grupos de tropeiros baseada na tradição da viagem que faziam para vender seus bois. Tanto é assim que os jurados analisam mais a fidelidade ao modo de cozinhar que o sabor da carne serenada e do arroz de carreteiro, dois dos pratos que compõem a refeição.

Ela acontece tradicionalmente no último sábado da Festa do Peão de Barretos, e nesta edição participaram 18 comitivas vindas de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso.

A grande campeã deste ano foi a comitiva Água Doce, de Icem (SP), ganhou o prêmio de R$ 1 mil. A comitiva Nova Esperança, de São José do Rio Preto (SP) ficou em segundo lugar (premiação de R$ 800). Em terceiro lugar, ficou a tropa de Arabá (SP) levou o cobiçado troféu e mais um prêmio em dinheiro de R$ 500.

Como as viagens tocando gado duravam de três a quatro meses, as comitivas levavam no lombo dos animais alimentos não-perecíveis conservados em sal grosso.
  • Nivaldo Gomes/ Divulgação

    Ingredientes para se fazer comida tropeira são exibidos na Festa do Peão de Barretos


Tradicional local de abatedouros e frigoríficos, Barretos era o ponto final da viagem de comitivas que vinham de Minas, Goiás e todo interior de São Paulo. E, na chegada, os cozinheiros das tropas realizavam competições para saber quem preparava a melhor comida.

Na disputa atual, as comitivas se dispõem em meio a um jardim, enquanto o júri vai passando e analisando a feitura de pratos como a paçoca de carne, o feijão tropeiro e o churrasco "queimado" sobre uma chapa de metal que antes de receber o bife se frita alho para temperar.

Entre os jurados costumam ser escalados políticos, além de dirigentes locais e executivos das empresas patrocinadoras do maior rodeio da América Latina. Em anos de eleições, a concorrência aumenta. Lá estavam neste sábado Michel Temer, Romeu Tuma, Paulinho da Força e até o ministro do Trabalho Carlos Luppi.

Dois juízes avaliam a melhor comida dentro das antigas normas de preparo. Apesar da quantidade de políticos que costuma aparecer para opinar sobre os pratos, seus palpites não contam pontos.

Alguns dos concorrentes ainda trabalham como tropeiros e vieram em comitivas a cavalo até Barretos. As tropas e os tropeiros são uma atividade econômica e um estilo de vida que não deixaram de existir apesar do avanço tecnológico da pecuária brasileira. A presença é forte em regiões do Centro-Oeste.

Em meio a tanto decalque da cultura country norte-americana em Barretos (algumas provas do rodeio atendem pelos nomes nada nativos de "bareback", "team penning" e "bulldog"), a queima do alho é um rincão mais autêntico das manifestações culturais dento do Parque do Peão, assim como a disputa pelo melhor berranteiro.

A partir de 1999, os pratos da queima do alho foram estendidos para o público em geral durante outros dias da festa, não só para os jurados e convidados especiais, como na hora da disputa.

No Museu Histórico e Folclórico do Peão, montado no parque que sedia a festa, há um espaço reservado para os apetrechos da queima do alho, além das indumentárias antigas de tropeiros.

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