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30/08/2009 - 22h01

Prostitutas itinerantes migram para Barretos, mas se decepcionam com boate rural

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL Notícias
Em Barretos (SP)
Um ônibus fretado foi recolhendo 40 garotas em Santa Catarina e as desembarcou em um sítio transformado em boate rural a apenas 500 metros da entrada do Parque do Peão de Barretos. Outra prostituta de Goiânia veio com amigas de avião até Ribeirão Preto (SP) e de lá pegou ônibus para chegar a seu local provisório de trabalho até domingo.

Como a sede da chácara é pequena, elas dormem e fazem programa em barracas de camping espalhadas no vizinho campo de futebol. "Esta é minha primeira e última vez aqui. Vou riscar este rodeio da minha agenda de 2010", conta Kelly ("nome de guerra", como os outros desta reportagem). Ela embarcou em Joinville no fretado que já tinha mulheres vindas de Florianópolis e Itajaí.

Talita já sabe onde vai estar dentro de um mês: em Blumenau, durante a Oktoberfest. Já Mila, de Ribeirão Preto, vai para o concorrido GP Brasil de F-1, que acontece também em outubro.

  • Flávio Florido/UOL

    Outdoor na entrada do Parque do Peão oferece o serviço aos visitantes da festa em Barretos

Elas migram em direção a aglomerações humanas, principalmente masculinas. Muitas já programam uma agenda de viagens com o roteiro para o ano todo. Pode ser uma feira agropecuária, uma folia regional ou um evento esportivo de grande apelo - como a Festa do Peão tem uma pitada disso tudo, lá estão elas.

Essas fazendas-prostíbulos se multiplicam em Barretos nos 11 dias da Festa do Peão: uma delas atende pelo singelo nome de Chácara Ipê. Leões-de-chácara, literalmente, guardam a entrada para controlar o entra-e-sai de clientes, mas também para que as garotas não saiam.

"Está muito caído, quero voltar para casa, mas não me deixam. Até para ir ao supermercado vem um segurança junto. Vou tentar escapar para ver algum show da festa", conta Sheila, que chegou de Belém (PA) há uma semana pensando no mundo de gente que transitaria por Barretos até domingo - a festa já chegou a ter 1,2 milhão de visitantes. "Espero, pelo menos, que neste fim de semana melhore para o nosso lado", completa a paraense.

Esse nomadismo sexual dentro do Brasil é pouco noticiado em comparação ao espaço que o tráfico de mulheres encontra na mídia quando é presa alguma quadrilha que aliciou garotas para trabalharem como prostitutas, em geral na Europa, em situações que podem envolver falsas promessas de emprego, cárcere privado, falsificação de documentos e até trabalho escravo.

Barretos tem uma forte conotação sexual para os visitantes, a maioria deles atrás de beijos, "agarros" e de alguma aventura no Parque do Peão ou na avenida 43, no centro da cidade. Não por nada 72% dos turistas são solteiros, segundo estatística dos próprios organizadores da festa. No camping dos solteiros, dentro do recinto da festa, é comum a presença de garotas que promovem strip tease e programas dentro de picapes dos "agroboys".

Os organizadores da festa tomaram várias providências para evitar os excessos dos anos anteriores - inclusive uma placa na entrada em que anuncia que é proibido sair só de cueca e lingerie fora da área do camping.

Nesse contexto, não é de se estranhar que, na entrada do Parque do Peão, esteja um outdoor com uma "cowgirl" vestida de biquíni e chapéu de vaqueiro anunciando o sítio "Eros Del Sex", acompanhado do seguinte chamariz: "mais de 70 meninas do Sul". Lá, dois ônibus fretados despejaram garotas alouradas, em turnos de oito horas.

Uma exceção no meio delas é Tatiane, uma morena que veio de Goiás. "Trabalho em Brasília e em grandes eventos no Centro-Oeste. É a segunda vez que venho a Barretos, mas estou decepcionada com o movimento este ano", confessa a garota.

Não se sabe ao certo o motivo, mas uma razão pode ser o temor de um contágio da gripe suína (Influenza A) em meio a tanta gente - e a maioria quer beijar, e muito, durante o festival de rodeio e música.

Outro fator pode ser o frio atípico na primeira semana da festa cravada na tórrida região do noroeste paulista. A crise econômica internacional poderia ser um terceiro ingrediente, afinal, a região é tradicional criadora, beneficiadora e exportadora de carne.

O que se sabe é que, na próxima segunda-feira, entre as levas de forasteiros que deixarão Barretos, vão estar essas garotas de programa para novas concentrações humanas pelo Brasil.

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