UOL Notícias
 
23/08/2010 - 13h00

Polêmica sobre maus tratos de animais em rodeios assombra Barretos

Fabiana Uchinaka
Enviada especial do UOL Notícias
Em Barretos (SP)

É cada vez maior a movimentação mundial contra os maus tratos de animais. Na Espanha, ativistas atacam as touradas. No Brasil, o foco é o tratamento dados a touros e cavalos usados nos rodeios, especialmente nos de Barretos, no interior de São Paulo, o maior do país, que nesta edição deve reunir 800 mil pessoas para dez dias de provas e shows.

"Rodeio é crueldade e isso é inquestionável. Temos documentos mostrando que o que eles fazem é cruel, é uma afronta à inteligência das pessoas eles dizerem que não é. Uma corda apertada nos flancos dos animais não tem como não ser cruel", disse Vanice Orlandi, presidente do Uipa (União Internacional Protetora dos Animais).

Segundo ela, a corda usada na montaria é amarrada na parte genital do animal, que é farta em estruturas nervosas e de captação de dor, sem estrutura óssea para proteger.

"Agora, imagina fazer isso em um homem. Os animais são mansos por natureza. Mas as pessoas precisam deles bravos, então apertam os órgãos genitais. Eles pulam para fugir da dor", defendeu ela.

A entidade rechaça ainda práticas como o uso da espora usada de forma intensa e recorrente, os choques elétricos, a constante queda dos animais nas provas, a privação do sono e a exposição exagerada ao ruído.

"Na montaria, o cavaleiro toca de leve com a espora no cavalo, sem pressão, sem insistência. No rodeio, o peão golpeia o animal com força e violência, incessantemente na região do pescoço e do baixo ventre, que são muito sensíveis", afirmou Orlandi.

"Os animais levam choques elétricos para entrarem no cercado, precisam ficar acordados até a hora do rodeio, quando costumam dormir ao cair do sol e são expostos aquele barulho. Os animais têm uma audição quatro vezes mais sensível que a nossa. Isso sem falar nas quedas, que provocam fraturas e hemorragias", completou.

Os ativistas lamentam a aprovação de uma lei que permite os rodeios no Brasil e, segundo Orlandi, "complicou muito a luta" contra os maus tratos. "Hoje, é permitido por lei mal tratar os animais e nós não conseguimos lutar contra o poderio econômico que um rodeio envolve", disse.

Em resposta às críticas da Uipa ao rodeio, Marcos Murta, presidente da comitiva Os Independentes, que organiza a Festa do Peão, disse não há maus tratos no rodeio de Barretos.

"Existem bons e maus profissionais. Hoje, em Barretos, temos 100% de bons tratos aos animais. Desde 2006, nós temos o Ecoa [Centro de Estudos do Comportamento Animal], o departamento que estuda com laudo científico tudo o que acontece com o animal antes, durante e depois das provas", afirmou.

Segundo ele, algumas ONGs divulgam imagens de rodeio, especialmente de provas com laço, que não fazem mais parte da competição desde 2006. "Essas provas realmente são mais preocupantes e por isso preferimos não adotar como modalidade. De resto, estamos tranquilos. Já tivemos aqui a presença de diversas ONGs de grande porte, como a Arca Brasil, que comprovaram que não há maus tratos em Barretos", defendeu.

Para deixar clara a posição da organização do rodeio sobre essa questão, entre uma prova e outra o locutor enfatiza o papel do Ecoa e ressalta que os animais usados na competição não passam por práticas agressivas.
 

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