UOL Notícias
 
26/08/2010 - 12h00

Apaixonados pelo "Barretesão" gastam até R$ 20 mil para garantir festa no Camping dos Solteiros

Fabiana Uchinaka
Enviada especial do UOL Notícias
Em Barretos (SP)

Eles pegaram horas de estrada na boleia de um caminhão e trouxeram geladeira, freezer, fogão, chapa, churrasqueira, barraca, colchonete, mesa, cadeira, carrinho de água de coco, televisão, DVD, mesa de som, piscina inflável e até irrigador de grama e máquina de assar frango. Na bagagem, litros de bebidas, quilos de churrasco e muita, mas muita energia. Eles estão de mudança e preparadíssimos para aproveitar a festa.

“Isso aqui é bom demais”, tenta explicar o boiadeiro Edson Rodrigues, 35, rodeado de cerveja e mulheres dançando funk, enquanto a reportagem do UOL Notícias tenta desvendar a atração que o Camping dos Solteiros provoca nos frequentadores da Festa do Peão de Barretos (SP).

Há vinte anos, Rodrigues tira folga no que ele chama de “dias sagrados do Barretão” e garante um espaço no terreno ao lado da festa. “Sempre no Camping dos Solteiros, porque aqui o clima é de festa e todo mundo está desimpedido”, diz. 

Neste ano, ele e os amigos investiram R$ 20 mil para montar o acampamento completo. “Isso aqui é mais importante que Natal, que Ano Novo, que qualquer coisa”, conta.

A opinião parece ser unânime: quem está ali é porque gosta muito e pretende voltar todos os anos. “Faz 15 anos que eu venho. E que Deus abençoe e eu volte no ano que vem. E enquanto as mulheres deixarem, onde tiver festa, onde tiver rodeio, a gente vai”, afirma o professor José Henrique de Melo, 36, que veio de Ribeirão do Sul (SP) com três dezenas de amigos, montou um enorme acampamento e pretende aproveitar tranquilamente os dez dias da festa. “Falei para o chefe que estava com conjuntivite, né?”, diverte-se.

Jogado em um colchonete, só de calção, Melo conta que o Camping dos Solteiros é mais animado que o Camping dos Casados, ao lado, para onde vão as famílias. Ali, a música alta dura o dia inteiro, os grupos que vêm de diversos cantos do país interagem, e, digamos assim, as pessoas não têm tantos pudores.

“Nós fazemos a festa, tem muita mulher”, diz. Se ele está solteiro mesmo? “Ah, tenho uns rolos por aí”, desconversa.

Do outro lado do terreno, um grupo aguarda os bolinhos de arroz que são preparados em uma grande cozinha improvisada. O “chefe da tropa” e cozinheiro oficial é o industrial Emilio Federice, 48, que há 24 anos tira férias para curtir o “Barretesão”, como é conhecida a festa entre os mais animados. “Eu trago a família toda, reúno os amigos”, diz.

Ao todo, 30 pessoas estão no acampamento de Federice. Elas vieram de Goiânia (GO), de Santo André (SP) e de Araraquara (SP) e se conheceram em outras edições do evento. “Chegamos dia 14 e desde então estamos aqui bebendo. Vamos embora no dia 30”, conta o engenheiro Roberto Elias, 47.

As mulheres também marcam presença na bagunça e não parecem se incomodar com a falta de conforto. “Eu fui criada na roça, estou acostumada”, explica Lourivania Oliveira, 25, entre uma rebolada e outra.

De dentro da caçamba de uma caminhonete, forrada com plástico e cheia de água, a paulistana da zona sul Kátia Galego, 23, conta que o mais difícil é lidar com a poeira de Barretos: “Tem que tomar banho toda hora ou ficar de biquíni dentro da água.”

O Camping dos Solteiros, por incrível que pareça, também tem seu lado família. Em uma das barracas, uma família inteira assistia ao jogo do Palmeiras na televisão, ideia do corretor da bolsa de valores Luiz Fernando Pellin, 59, que veio de Campinas (SP) para passar férias com a mulher, a filha e dez amigos no acampamento. “Faço isso há 16 anos, todos os anos. Para quem trabalha na bolsa, é bom para descontrair”, afirma.

Na barraca vizinha, uma turma que veio de Florianópolis, em Santa Catarina, conversava com os novos amigos --pai e filho que vieram de Araraquara (SP). “Venho todo ano há mais de uma década”, enfatiza mais um apaixonado pelo lugar, o empresário catarinense Cesar Sperandio, 55.

O mais novo do grupo era Victor Hugo Moraes Silva, 16, que acompanhava o pai Remildon, 41, na “prosa” com a vizinhança. “Estou passando férias com a minha mulher, meu filho, minha filha e o namorado da minha filha. Veio todo mundo. Quem tem aula, vai embora no domingo e volta na sexta”, conta. “Eles gostam. É uma bagunça organizada”. 

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,22
    4,119
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    -0,27
    104.728,89
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host