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Bradesco compra Banco Cidade e avança na alta renda
17h39 - 25/02/2002




Por Denise Luna e Walter Brandimarte

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Bradesco deu mais um passo em direção à clientela de alta renda. O maior banco privado brasileiro anunciou nesta segunda-feira que comprou por 366 milhões de reais o Banco Cidade, conhecido por seu forte vínculo com a comunidade judaica no país.

A aquisição foi feita por meio de uma subsidiária, o BCN, que foi adquirido em 1997 e manteve-se com marca própria, voltada a clientes de mais alta renda.

"O Cidade é um banco focado na prestação de serviços, com forte arrecadação de tarifas bancárias e com parceria muito grande com a comunidade judaica. Vimos um percentual de alavancagem muito forte", descreveu o presidente do Bradesco, Marcio Cypriano, no início de uma teleconferência com jornalistas.

"É um banco segmentado no middle market (empréstimos para empresas de médio porte), como o BCN", acrescentou, explicando por que a aquisição foi feita por meio da subsidiária.

O Cidade foi criado em 1965 pelas famílias Safdié e Harari, que mantiveram o controle do banco até a compra pelo Bradesco. Segundo Cypriano, as negociações começaram no final de dezembro passado, quando o Bradesco foi procurado pelo Banco Cidade.

"Tínhamos bom relacionamento e eles nos procuraram para saber se tínhamos interesse (na aquisição), explicou ele.

Com 24 agências, 53 postos de atendimento, 734 funcionários e ativos de 2,1 bilhões de reais, o Banco Cidade é uma gota no balanço do gigante Bradesco, mas uma peça importante de sua estratégia de consolidação, avaliam analistas.

"Está cada vez mais nítido que ele (Bradesco) está reunindo ativos de um outro tipo de mercado, para um cliente de renda mais alta", disse à Reuters o analista do BBA/Icatu, Tomas Awad.

A avaliação é compartilhada pelo analista do UBS Warburg, Bruno Pereira. Para ele, a compra do Banco Cidade não agrega valor expressivo ao Bradesco, mas amplia o mercado do banco para clientes com renda mais alta. O banco terá que mostrar, porém, habilidade para manter esses clientes, ponderou o analista.

"É mais um passo para crescer o portfólio do banco em um segmento específico, de renda mais alta, mas agora terá que ter habilidade para atender esse outro perfil", disse Pereira.

PREÇO ATRATIVO

Analistas consideraram vantajoso para o Bradesco o preço de aquisição do Banco Cidade--cerca de uma vez e meia o valor de seu patrimônio--, que era de 242 milhões de reais no final de 2001.

Cypriano explicou que o valor reflete também o pequeno número de clientes na carteira do Banco Cidade. "Isso foi um componente importante na formação do preço", afirmou.

Parte da aquisição, 112 milhões de reais, será feita com a emissão de dívida subordinada, uma espécie de debênture que não compromete a alavancagem do banco, segundo analistas.

Desse total, 70 milhões de reais serão pagos com papéis de cinco anos corrigidos pelo dólar, mais taxa de "7 a 8% ao ano", segundo o presidente do Bradesco. Os 42 milhões de reais restantes serão quitados com papéis de 10 anos, que embute a variação do CDI mais taxa anual de 0,75%. Ambas as emissões serão totalmente subscritas pelos antigos donos.

"Se o endividamento para a compra fosse por emissão de ações o acionista minoritário seria diluído, com a dívida subordinada isso não ocorre", avaliou o analista da Fator Dória-Atherino, Paschoal Paione.

A operação envolve a compra pelo BCN da totalidade do capital social do Banco Cidade e suas controladas, entre as quais a Cidade Capital Markets Limited, instalada nas Ilhas Cayman, a Bancocidade Corretora de Valores Mobiliários e de Câmbio, a Bancocidade Leasing Arrendamento Mercantil e Banco Cidade Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.

O Cidade possui ainda uma unidade fora do país, o Multi Commercial Bank, na Suíça, com ativos totais em torno de 600 milhões de dólares.

CONSOLIDAÇÃO DO SETOR BANCÁRIO

Em plena consolidação do setor bancário no país, o Bradesco tem atuado para se manter no topo do ranking dos bancos privados, tendo como competidores principais o Itaú e o Unibanco .

Somente este ano, o Bradesco já adquiriu o Banco do Estado da Amazônia, o Banco Mercantil de São Paulo, a Ford Credit e a subsidiária de gerenciamento de ativos do Deutshe Bank no Brasil.

A aquisição do Banco Cidade era amplamente esperada pelo mercado. No início do mês, o Bradesco recusou-se a comentar os rumores de que estava prestes a fechar o negócio, sem confirmar ou negar as especulações.

Outro rumor que chegou ao mercado recentemente foi o que o maior banco privado brasileiro estaria "em namoro" com o BBA, banco de pequeno porte focado em clientes corporativos, sobretudo operações de tesouraria.

Dessa vez, no entanto, o presidente do Bradesco foi enfático. "Este é um boato de mercado que não procede", garantiu Cypriano.



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