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Lula oficializa candidatura e ataca preconceito contra aliança
16h06 - 29/06/2002


Por Claudia Pires e Isabel Versiani

SÃO PAULO (Reuters) - Luiz Inácio Lula da Silva oficializou no sábado sua quarta candidatura à Presidência com um discurso emocionado para combater o preconceito contra uma aliança do PT com o PL e enfatizando que nunca esteve tão próximo de vencer uma eleição.

"É imperdoável que ainda haja na alma dos companheiros a doença do preconceito. Eu fui muito vítima do preconceito e ele é como uma gripe, está em todo lugar mas só se pega se tivermos fragilidade", disse Lula, durante discurso na convenção nacional do partido, em São Paulo, acrescentando que sua campanha deve ser a "vacina contra essa gripe".

Lula falou durante 45 minutos, logo depois do discurso do candidato a vice, senador José Alencar (PL), que chegou a ser vaiado por um pequeno grupo de militantes contrários à aliança com o Partido Liberal. "Lula sim, PL não", gritava o grupo, o que detonou a reação no discurso do candidato contra o preconceito interno do partido.

"Eu não gosto desse movimento para o centro, mas a maioria gosta e eles venceram", disse Sonia Moraes, 37, militante há 15 anos, que fazia parte do grupo da vaia.

"O Lula agrega gregos e troianos. Essa mudança é um processo gradativo que já era aguardado", afirmou Ana Urias, 40 anos, 20 de militância, representando a voz dos que apóiam a aliança com o PL.

Com o slogan "Quero um Brasil decente, quero Lula presidente", o publicitário Duda Mendonça organizou um evento com forte apelo emocional.

Lula foi recebido por uma chuva de estrelas de papel vermelhas e prateadas e pelo jingle da campanha, que começa lembrando o famoso refrão da eleição de 1989: "Lula lá, brilha uma estrela". O novo jingle, porém, ganhou novo refrão: "É só você querer/, o caminho assim será./Bote fé e diga Lula./Bote fé e diga Lula./Eu quero Lula".

O discurso de Lula começou com uma defesa do presidente do partido, José Dirceu, envolvido em denúncias de corrupção na Prefeitura de Santo André. "A gente não pode permitir ser acusado de corrupção. Toda denúncia, em qualquer país, tem de ser apurada, mas o PT é um partido honesto." "Nestes momentos é que temos que crescer".

Lula disse que sabe que a campanha não será fácil, mas que está mais maduro, tem a cabeça tranquila e a certeza de que vai vencer. "Hoje eu estou de bem com a vida. Vou fazer uma campanha sem falar mal dos meus adversários nem do Fernando Henrique Cardoso. Vou falar bem do PT."

"O amadurecimento não é apenas meu. É um amadurecimento de todos os petistas", disse Lula, que lembrou que esta é sua quarta candidatura à Presidência e que não entrará na disputa "de salto alto".

Ele disse ainda que o partido precisa eleger, além do presidente, governadores, senadores, deputados, para garantir a futura governabilidade.

Afirmou que seu conceito de "Brasil decente" é um Brasil disposto a negociar e enfrentar seus problemas. "Não vamos ter medo de negociar as coisas neste país. Não podemos nos intimidar pelas adversidades que nos impõem."

José Dirceu, que havia discursado antes de José de Alencar e de Lula, se defendeu das acusações e pediu que todos os simpatizantes do partido saiam às ruas no dia 6 de julho para um grande ato contra as "denúncias injustas" de que o partido é vítima e para apoiar a candidatura de Lula.

Lula, que lidera todas as pesquisas de intenção de voto, finalizou sua fala dizendo acreditar que nunca esteve tão fácil vencer a eleição, mas deixou claro que o PT não pode "pisar na bola" e errar.

EFEITOS E BAIXO ORÇAMENTO

Com baixo orçamento, de cerca de 160 mil reais, Duda disse que optou por fazer uma convenção simples, mas que chamasse a atenção da mídia e dos eleitores. Por isso, optou por um jogo de luzes e papel picado no palco.

"Essa coisa de balão é coisa de americano", disse Mendonça à Reuters, referindo-se à convenção do PSDB e PMDB, marcadas pelos balões de gás.

Duda também trouxe para a convenção o mesmo garoto que participa da propaganda de Lula na TV, que repetiu seu discurso inflamado sobre a desigualdade de oportunidades no país e pedindo apoio para Lula.

"Saiu melhor do que eu queria", disse o publicitário no final do evento, que teve como mestre de cerimônia a prefeita de São Paulo Marta Suplicy.

Todas as lideranças do partido estavam presentes na convenção, menos a senadora Heloísa Helena (PT-AL), que concorre ao governo alagoano. Na terça-feira, ela havia abandonado a reunião do diretório por não concordar com a coligação com o PL.

A aliança com o Partido Liberal foi aprovada sem dificuldades na sexta-feira.

Mas houve reclamação nos Estados, principalmente Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Alagoas. "O PT não está impondo nada, foi uma votação democrática. Vamos dialogar e vamos convencer as pessoas nesses Estados, mas não vamos enquadrar ninguém", disse o deputado estadual José Genoino (PT-SP).

"Nesses Estados as divergências são antigas, mas vamos tentar acomodar", disse o deputado Aloizio Mercadante na convenção. Ele desmentiu que o partido irá fazer uma intervenção nesses Estados para obrigar a coalizão, como quer o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

A convenção deste sábado foi encerrada com partidários cantando o hino nacional. A chuva de estrelas, que era vermelha e prateada no início da cerimônia, se transformou em verde e amarela.

(Com reportagem adicional de Mary Milliken e Carlos DeJuana)



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